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Vai fazer quase 2 anos da mais recente experiência, no distrito federal, de coletividade punk que tenta se organizar, para se unir, resistir frente a esta cidade, e tentar muda-la. No começo do ano de 2004, @s anarcopunks do d.f., alguns/mas inspirad@s em uma das sugestões colocadas no encontro nacional de Dezembro de 2003 (São Paulo), de fortalecer as realidades locais antes de tudo, resolvem tentar rearticular o que seria nomeado de M.A.P.-D.F..Grandes reuniões ocorreram, assim como um ato-panfletagem no dia nacional antifascista (Fevereiro, 2004) tirado no mesmo encontro. A prática da idéia de continuar com o grupo não vingou e a iniciativa acabou dispersando. Porém, até o final do ano e justamente a partir desta tentativa falha, foi articulado, principalmente por boa parte destes/as mesm@s anarcopunks e de integrantes do centro de mídia independente-bsb, o primeiro Encontro de Grupos Autônomos do D.F., depois de muito esforço e várias cansativas reuniões. O encontro também teve inspiração nacional, no E.G.A. realizado s, um conjunto de grupos-de-roles separados, cabreros/sem-afinidade/tretados, o que também havia por aqui. Ainda nesse sentido, apareceram pessoas (bem) novas sem paranóias nem modismos clássicos, o que também deu muita liga nessa vivência/interação/camaradagem entre @s anarcopunks da cidade. Fizemos alguns eventos/gigs, como o “arte e sabotagem”, em Planaltina, com belíssimas intervenções de poesia e de teatro, o “afropunk” no Instituto Comunidade Praia Verde, espaço que lida com cultura afro, da Candangolândia, com o valoroso camarada anarcopunk sul-africano, da Federação Anarco-Comunista Zabalaza, Johnnatan, o “se não mudamos o mundo tampouco ele nos mudou” no Gama, o penúltimo organizado diretamente pelo nome do K.R.A.P., todos com a significativa e essencial presença de pessoas não-punks, simpatizantes com os temas. Nas férias de meio do ano tentamos ocupar e encantar o “Hotel Guarapari”, clássico e tático local abandonado daqui, iniciativa muito válida e que nos deu experiência, mas mal-sucedida por repressão de capangas e erros nossos.
O Instituto Comunidade Praia Verde, no bairro de Candangolândia, foi o espaço também de pelo menos outras três importantes atividades pra nossas movidas aqui, em ordem temporal, o Encontro Local AnarcoPunk (nível d.f.), o II Encontro de Grupos Autônomos-d.f.., o I Encontro Regional [Centro Oeste] AnarcoPunk. No Encontro Local (Setembro) fizemos discussões e reflexões variadas, mas basicamente sobre a realidade local, óbvio. Não tiramos muitos encaminhamentos pra cumprir nem um relato formalizado, mas houve alguns pontos avaliativos gerais, como tentar caminhar em nível local com tranqüilidade/maturidade, sem querer fabricar um Movimento AnarcoPunk do Distrito Federal, continuar com a experiência do Coletivo; e que @s punks da cidade poderíamos seguir, pelo momento de então, como um grupo de afinidades; que o próprio momento do encontro era bom para tocar mais coisas do que as que já vinham sendo feitas; que o encontro era fruto de uma interação maior entre nós anarcopunks da cidade; que tínhamos disposição para organizar um encontro centro oeste;... E, pra fazer o regional, sendo que ele ocorreu no meio de Outubro, o tomamos como pauta maior até lá, articulando contatos com pessoas das outras realidades participantes, Cuiabá, Uberlândia, Goiânia. Também houve falas relativas a Porto Alegre, já que havia compas que eram de lá ou por lá tinham passado um bom tempo. Importantíssimo foi este momento. Lógico que, muito com base na experiência do discutido em nosso fórum local, tivemos ações paralelas até a chegada d@s compas, estudamos o caso de uma ocupa em Brazlândia, que resolvemos abortar, e um ato contra o repressor e irracional circo animal Beto Carrero. Contudo, o fato é que finalmente havia ocorrido um Encontro Centro Oeste, isto é, as várias realidades da região estavam presentes, fizeram um bravo esforço para comparecer, discutir e deliberar, não houve uma reunião de punks de brasília, apesar de, lógico, pela localização, foram maioria nas plenárias. Muito importante, realmente, a presença e a comunicação, interação de tod@s @s presentes, isso em nível interestadual! Discutimos, nos simpatizamos, e tiramos encaminhamentos/consensos, organizados, desta vez, em um relato, com todas as ressalvas, entretanto, de que tínhamos feito uma primeira atividade neste campo regional. Além do que, passou-se mais de um dia discutindo –e tentando quebrar- velhos tabus do meio punk, dentre eles o a banalização da violência, personalismo, sectarismo,... Até o fim do ano de 2005 do calendário cristão, o coletivo teve seguidas e inchadas reuniões de uma grande punkaida interessada, incluindo pessoas de fora que estavam no Encontro Regional, com quem, vale colocar, sempre tivemos boa relação. O Koletivo se via, por aí, com reuniões periódicas, muita gente, uma camaradagem mais forte ainda, e alguns acontecimentos/pautas/discussões prioritárias. Fomos fundamentais na organização do II E.G.A., quando houve, inclusive, o ressurgimento do libertário coletivo de teatro Rosa Negra, com boa peça “sobre o Estado”, repetida no “mundaréu”, já à época do Encontro Regional. Pena o grupo ter acabado logo depois daí. Discutimos, como estamos fazendo até hoje e este texto de apresentação é fruto disso, nossa (re) organização geral, fomos convidados por dois manos libertários a co-gerir, desenvolver alguma coisa, em aberto, que fosse em um espaço rural, numa chácara (“Satanás Querido”/ “Ternurinha do Caos”), tiramos de articular, um pouco na linha de um dos encaminhamentos regionais, um Dezembro anti-fascista aqui, nos afastamos do Instituto Praia Verde, por sábios e autônomos motivos nossos, percebemos que a relação não era de muito respeito, inclusive para conosco, enfim, começamos a pautar várias coisas, ter várias pautas pra discutir...O “dezembro anti-fascista” ocorreu, mas menor do que o que tinha sido proposto. Fizemos uma intervenção no bairro do Gama, com exposição de mural/panfletagem, outra no centro da cidade-setor comercial sul-, na verdade mais um apoio a outra intervenção autônoma, maior, que estava ocorrendo, que finalizou com um rebatismo da praça, cujo nome era relacionado à ditadura dos milicos, e ficou sendo “praça do povo”, a mídia local chama assim até hoje. Ainda foi feita uma semana, no conic, área central da cidade, só de mostra de vídeos, todos com temática anti- fascismo/preconceito/conservadorismo, com destaque para a boa estrutura da mostra e a presença de camaradas de grupos afins (mpl, mtd, e outr@s, do meio autônomo). Passamos bastante tempo sem reuniões, uma vez que o tempo de virada de um ano pra outro é complicado, culminando, no primeiro dia de Janeiro de 2006, com um histórico e covarde aumento de passagens, de mais de 21 por cento, chegando a mais de 50 por cento. Foram muit@s @s que quase deram sangue nessa comprida luta, incluindo nós. Vários bairros e indivíduos se envolveram bastante nisso, e durante uns bons meses, com o protagonismo necessário do M.P.L.-D.F.. Todos fizemos o que pudemos na luta, mas até hoje chegamos a pagar seis reais numa viagem urbana simples. A chácara, ficamos sabendo, já tinha voltado a ser do dono de novo, com a volta do mesmo. Fato, na verdade, posterior à nossa indisposição em articular qualquer coisa por lá, ou pensar coletivamente, consensuar o que fazer, tivemos problemas neste sentido, foi complicado sentar pra discutir essa pauta.
Caminhamos neste ano de 2006 com menos gente, e sempre discutindo/fazendo reestruturação, o que não nos impediu de tocar algumas coisas pra frente. Uma delas foi, no clima do ano de eleições, e de crítica a elas, por exemplo o lema que vem ganhando força “existe política além do voto”, a discussão que organizamos no sugestivo dia primeiro de abril (“dia da mentira”) no bairro de brazlândia, no “espaço
NÓIS MEMO
Somos um coletivo anarcopunk. Somos libertários, anarquistas, punks. Uma coletividade, não uma panelinha onde só entra quem nós julgarmos bonit@s ou engraçad@s nem um grupo político fechado em dogmas ideológico-científicos. Pessoas que, como tod@s @s outras, são únicas, sem cópia, sem clone, apesar da imposta e, infelizmente muitas vezes reproduzida e bem-vinda, padronização babaca da nossa sociedade de massas. Uma massificação, na verdade, que dita a autoridade pra nós, a crença cretina de que há superioridade entre os seres. Somos (de novo! hehe) tantas coisas, tantas idéias, justamente elas que tanto nos unem, mas, quem diabos somos/seríamos nós?A pergunta não tem, pra bem ou pra mal, uma resposta curta, mas talvez simples, sim. Não temos um espaço formal nem aprofundado tanto do que seriam nossos princípios quanto de leitura do mundo, da história, ou da nossa realidade. Contudo, existem pontos que nos unem, nos levam a atuar, a consensuar e a consensuar a atuar. Enfim, algumas várias aspirações e inspirações.


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