31 julho 2007

Relato sobre a squat N4, okupada em 4 de novembro de 2006, Porto Alegre.



Vemos a squat, antes de tudo, como uma experiência e prática de anarkismo e, justamente por isso, queremos relatar aqui sobre as transformações, as idéias, os conflitos, as dúvidas.
Construímos, recentemente, um forno de barro e também uma composteira que vai transformar em adubo nosso lixo orgânico. Queremos ainda construir um banheiro seco, que não contamina e economiza litros e litros de água potável. Os banheiros da kasa foram depredados, não há saídas de esgoto que funcionem e água encanada, mas algo além disso nos motiva à construir um banheiro alternativo.


Devido a um incêndio que consumiu boa parte da infra-estrutura - principalmente a de madeira - temos apenas dois cômodos com telhado, onde dormimos atualmente. Queremos construir telhados e peças inteiras utilizando barro, bambu, garrafas, caixas de leite e outras formas alternativas que sejam mais ecológicas, inteligentes e econômicas. Essa carência nos fez começar do zero, porém, graças a isso, podemos questionar e escolher como e para que construir; podemos trocar conhecimentos práticos e desenvolver e incentivar essas alternativas. Pensamos em como seria recompensador ver os muitos barracos que nos cercam cobertos de barro, trabalhando como isolantes térmicos, ou até mesmo com banheiros secos deixando clara a independência de um sistema público de saneamento básico que tarda em chegar.

Xs amigxs mais pessimistas falam em algo em torno de vinte anos para deixar a kasa pronta, xs mais positivxs, dez. Porém, “pronto” quer dizer muitas coisas e, para nós, quase como uma metáfora para a vida, estar pronto é um estágio que nunca alcançamos, porque o real objetivo é estar em constante transformação, revolução. Entretanto, nos parece obvio que mais cômodos com telhado são necessários.

Outra coisa que viemos fazendo é o cadastro de nossos livros, zines e outras publicações para que possamos disponibilizar-los para leitura e, talvez, empréstimo. Além do conteúdo libertário, pensamos também em focar em livros didáticos. Ocasionalmente tem acontecido uma oficina de wen-do – defesa pessoal feminina(sta) – que queremos ampliar, e tornar semanal. Planejam-se para breve, oficinas de teatro de rua, de plantas medicinais, grupos de estudos...
Okupar e resistir têm sido para nós, viver em comunidade, em imersão em um micro-ambiente onde praticamos e desenvolvemos métodos para vivermos mais felizes e mais livres. Sem hierarquias inquestionáveis, sem autoridades inquestionáveis, sem regras impostas. Horizontal, cooperativa, autogestionada. Mas não é só isso: acreditamos que esses princípios deveriam ser universais e lutaremos por isso. Lutaremos para questionar e romper com o conjunto de valores éticos e morais, condutas e verdades, hábitos, costumes e tradições, a cultura: que teima em controlar nossas vidas e torná-la uma silhueta. Lutaremos para ser uma ameaça.
Retomar a medicina, a arquitetura, a alimentação, o ócio, a cultura, a sabedoria. A contracultura, a contramedicina, a contraarquitetura. Retomar e Redistribuir.

Texto por N4

www.squatn4.blogspot.com
squatn4@hotmail.com

Cx postal 8593
Ag. Tristeza
Cep: 91901-970
POA -RS

17 julho 2007

"façamos dos espaços vazios, cheios de vida novamente!"


Recentemente tivemos a experiência de ocupar uma casa na região metropolitana de Porto Alegre, na cidadezinha de São Leolpoldo. A nescessidade de um espaço físico para algumas atividades do coletivo Mentes Plurais, fez buscarmos esse lugar. Então, depois de uma curta pesquisa de casas disponíveis resolvemos ocupar no dia 20 de Maio de 2007. Foi bem tranquilo o dia em que entramos. A casa que antes era um lugar sujo, que servia de “mocó” e não cumpria sua função social agora ganha vida e coloridas cores. Nos dias que seguiram houve algumas complicações com os antigos "moradores", depêndentes químicos, pessoas que realmente não tinham lugar algum para morar, um erro nosso não ter tentado um diálogo com essas pessoas. Quando entraram ficaram do outro lado da casa, que era dividida ao meio por uma parede. Nós muito assustad@s resolvemos não falar nada.

A casa situava-se no centro de São Leolpoldo, do lado da estação de trem. Era um espaço bem grande, uma casa dividida em duas. Tínhamos diversos sonhos ali, hortas com os mais variados legumes, biblioteca comunitária, realização de oficinas, encontros de malabares. Nosso maior objetivo era que ali fosse um grande polo de difusão do anarquismo e da revolta. Não queríamos cometer o mesmo “erro” que muitas outras okupas punks cometem, em ocupar e apenas morar, nossos sonhos eram além. Nossa vontade era que o espaço fosse frequentado pelo mais variados tipos de pessoas, desde o tiozinho que cata latas até o artista de rua. Não queríamos que a casa tivesse um fim em si mesmo, mas que fosse um dos meios ao qual poderíamos estar atuando.

Seis dias antes de completar um mês fomos surpreendidos com o desalojo, que já era esperado. Alguns dias antes fomos até a prefeitura verificar novamente como andavam as dívidas da casa, pois suspeitávamos de que a antiga proprietária pudesse nos tirar dali. E havia um IPTU pago recentemente, isso nos deixou apreensiv@s e com medo, mas não desistimos. Aconteceu um pequeno evento com a mostra de um filme muito interessante, “A Tornallion” sobre uma comunidade agrícola de Valência que lutava para não ser desalojada devido a construção de um porto marítimo. Quando faltavam 5 dias para completar um mês que estávamos ali recebemos a visita de um advogado querendo que saíssemos, sem revelar quem o mandou, disse que a casa fora comprada por alguém e que ali viraria um estacionamento. No dia seguinte, pela manhã, quando ainda estávamos dormindo, ele aperceu com um caminhão de mudanças e com mais alguns capangas. Resolvemos questioná-lo pois não havia pedido de reintegração de posse, o questionamento era viável, sem aquilo não poderíamos sair. Ele então ameaçou chamar a polícia, para que nossos nomes não fossem registrados, resolvemos sair.

Essa foi uma experiência muito boa, apesar dos erros cometidos, talvez se tivéssemos conversado e planejado um pouco mais antes de ocupar poderia ter sido diferente. Fica aqui minha força à tod@s @s compas que lutam para que se seus sonhos se tornem realidade. Que surjam cada vez mais ocupações pelo resto do mundo, façamos dos espaços vazios, cheios de vida novamente! Muita luta à tod@s! Coletividade Sempre!

por: Kassandra

Coletivo Mentes Plurais

caixa postal: 17018 cep:90010-970

Porto Alegre-R$

28 junho 2007

Relatos de uma okupação... e um desalojo

"...um dia que ao invés de nos desanimar, nos provou a força da coletividade e dando mais força, revolta e experiência para seguirmos caminhando, sem dar passos atrás nesta luta sem final! Enaquanto houver gente sem casa e casas sem gente, haverá okupações! "


"Se morar é um privilégio, okupar é nesserário!"

à comunidade de Brazlândia,
à tod@s que meteram a mão na massa,
às/aos compas que nos desejaram sorte e prestaram apoio,

"Relatos de uma okupação... e um desalojo"

Era por volta de 7 hrs da manhã do dia 22 de dezembro de 2006, quando um grupo de 12 pessoas chegam ao local tão esperado. Uma casa pequena, com um quarto, um banheiro, uma salinha com cozinha e um pequeno espaço aberto em frente, passaria do abandono a okupação de vidas, sonhos e lutas. As 3 pessoas que pularam o portão, e com o auxílio de quem ainda estava de fora, destroem a fechadura, abrindo ao som do "kraak" as possibilidades para uma construção libertária. As tralhas e mochilas são logo colocadas a dentro, as pessoas observam o local sujo, e já começam a por as mãos na massa; dentro da casa vários sacos e caixas, fora se entulhavam centrimetros de terra, galhos, mato, mal podendo ser vista a "cor" do chão.

Antes

A porta da casa de fato, tampada com tijolos, é posta a baixo, enquanto pela janela de trás entravamos alguns ansios@s em ver dentro. Nos surpreendemos ao ver que a fiação elétrica ainda estava na casa, e tinha ainda vaso, torneiras, um armário novo e uma cama que poderia ser reaproveitada. Nos surpreendemos ainda mais quando mechendo no relógio de água ouvimos o som da descarga após ser puxada: tinhamos água! Logo começamos a desentulhar a entrada, levando os galhos pra fora e, com o empréstimo de um carrinho de mão e mais uma enchaida de vizinhos, levavamos terra, grama e tudo mais. Foi bom ver a reação também animada da vizinhança, pois curiosamente perguntavam-nos sobre o que estava aconteçendo, e nossas respostas muitas vezes curtas mas simpaticas de que acabaria aquela abandono e que revitalizariamos o espaço, sugeria o desejo de boa sorte, de força. E ao passo que retiravamos e sujeira, crescia mais e mais a felicidade, nossa e da comunidade, vendo pessoas integarindo num mutirão dando Vida ao abandono. Ao longo do dia, nos já em 16 pessoas que transitavam, surpreendiamos com nós mesm@s: atestamos que 'sem mutirão, não há solução!'. De 7 da manhã até umas 17 da tarde o local estava praticamente outro, sem nenhum entulho na frente nem dentro da casa, haviamos colocado uma porta no banheiro e o limpado, pintado de rubro-negro o portão, tampado os burracos do muro com retalhos de tijolo e cimento, ligado a água, limpavamos o chão empoeirado e ainda com ótimo diálogo com a comunidade; fizemos com esperança, camaradagem e criatividade o que alguém pago pra fazer não o faria; começavamos a rir ao ver se concretizando o começo de sonhos e projetos.

Depois

Foi então que, após a primeira chuva (que inclusive ajudou-nos a limpar mais a entrada), por volta de 17:30, ao invés da calmaria, chegam três políciais em um carro batendo no portão... Alegavam estar com a proprietária e, logo que abrimos, indagaram-nos -como de costume- o que faziamos alí, quem era o proprietário ou se alguém era parente. Adentraram a casa observando a situação enquanto tentavamos algum diálogo e argumentações, mostramos fotos de como estava o local antes, nosso projeto para o futuro Centro Social. Porém não tinha muito o que conversar com os políciais, a proprietária estava na delegacia, e já sabia do ocorrido desde as 11hrs. Foi presiço ir 2 pessoas lá falar com ela, enquanto outros 6 esperavam na casa sem saber o que aconteçeria. Na delegacia, a disposição da dona do abandono não era de diálogo, apenas queria seu imóvel de volta alegando que estava em construção, provavelmente para o deixar as traças novamente; ao menos não queria registrar ocorrência, o que nos complicaria com as acusações de invasão de domicílio e corrupção de menores. Na casa, ainda tinhamos esperança de nossa permanência e absurdamente contentes com nosso trabalho naquele primeiro dia, e que viria a ser o único. Então por volta das 19:30 chega à casa um delegado e um agente da polícia civil, mesmo que tentavamos esboçar alguma resistência e diálogo, não tinhamos muito o que fazer: ainda tinha raios de sol e pelo fato de ser o primeiro dia ali não preçissavam de mandato pra nos retirar. Estava feito mais um desalojo...

Nossas coisas ficaram na casa vizinha enquanto fomos todos levados a delegacia. Avisamos, já na primeira entrada da polícia, todas as pessoas que poderiam vir e nosso advogado, mas pela comunidade de Brazlândia ser uma das mais distântes do centro, puderam chegar só quando fomos liberados; novamente não tinha mais o que fazer além da triste lembrança dos bons momentos na casa. Mais uma vez a polícia nos mostra de que lado está...porém, não desistiremos assim tão fácil. A iniciativa de Anarcopunx envolvendo outras pessoas do meio autônomo, libertário e feminista, de "colorir o abandono" de uma casa sem função social à treze anos e sonhando/planejando isso à alguns meses, foi posta a baixo em um dia...um dia que ao invés de nos desanimar, nos provou a força da coletividade e dando mais força, revolta e experiência para seguirmos lutando, sem dar passos atrás nesta luta sem final! Enaquanto houver gente sem casa e casas sem gente, haverá okupações! Enquanto existir o Estado que protege o capital e as propriedades privadas, estaremos nós lá junto as comunidades exploradas pela sua emancipação, seu bem-estar e sua dignidade!

"Desalojos são destúrbios!"

levantar a cabeça e seguir na luta:
"podem desalogar nossos corpos e nossas coisas, mas nunca nossos sonhos"

22 janeiro 2007

Resistência AnarcoPunk
Olá!
Este texto que segue foi escrito em setembro de 2006. Foi, também, um dos textos que publicamos em nosso primeiro informativo -Alternativa Libertária. Ele serve, então, como um registro histórico, nossa memória das atividades e correrias que fizemos, de momentos de aprendizagem, de alegrias e tristezas, de erros e acertos; mas que devemos, mesmo assim, lembrar, para tirar lições do passado, aplicar no presente e "colher" no futuro...
Ele fica como uma tentativa de inspirar e fomentar a organização, a luta e a experimentar com resistência os caminho da liberdade. Tanto ao movimento/cena/kultura anarkopunk, quanto as pessoas de outras culturas e tendências políticas, ou mesmo sem, mas que aspiram a igualdade, a solidariedade e camaradagem entre as pessoas comuns, despossuidas y exploradas. Acreditamos que devemos nos organizar diretamente em torno de nossas principais necessidades, dos nossos locais de relações sociais -trabalho, escola, bairro, rua, etc, de nossas afinidades políticas, pessoas e culturais, para unir-nos e direcionarmos forças para lutar por nossos ideais e superar nossos problemas mais imediatos.

Qualquer sujestão, pergunta ou vontade de trocar idéias, adquirir nossos informativos ou dar contribuições, entre em contato conosco:

Caixa Postal: 2311, CEP: 70343-970, Bra$ília/DF
e-mail: krap_df@riseup.net

Boa leitura!

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UM HISTÓRICO

Vai fazer quase 2 anos da mais recente experiência, no distrito federal, de coletividade punk que tenta se organizar, para se unir, resistir frente a esta cidade, e tentar muda-la. No começo do ano de 2004, @s anarcopunks do d.f., alguns/mas inspirad@s em uma das sugestões colocadas no encontro nacional de Dezembro de 2003 (São Paulo), de fortalecer as realidades locais antes de tudo, resolvem tentar rearticular o que seria nomeado de M.A.P.-D.F..Grandes reuniões ocorreram, assim como um ato-panfletagem no dia nacional antifascista (Fevereiro, 2004) tirado no mesmo encontro. A prática da idéia de continuar com o grupo não vingou e a iniciativa acabou dispersando. Porém, até o final do ano e justamente a partir desta tentativa falha, foi articulado, principalmente por boa parte destes/as mesm@s anarcopunks e de integrantes do centro de mídia independente-bsb, o primeiro Encontro de Grupos Autônomos do D.F., depois de muito esforço e várias cansativas reuniões. O encontro também teve inspiração nacional, no E.G.A. realizado em São Paulo (Fevereiro de 2004). O objetivo do E.G.A.-D.F., de Setembro, era chamar, tentar agremiar grupos autônomos, isto é, anticapitalistas e anti-hierárquicos , organizados/formalizados ou não, da cidade. Foi um momento interessantíssimo por estas bandas, na verdade um marco para a então futura movimentação autônoma daqui. Ficou, pra tod@s @s envolvid@s, não só a quebra do gelo, a camaradagem de um fórum de troca de experiências “face a face”, e sim também a revelação do poder de lutas e de associação que tinham os setores ali envolvidos. Nisso se inclui, muito especialmente, o meio anarcopunk. Fomos consolidando um processo de ganhar -mais- maturidade. Ou seja, um processo muito nosso também, de ver com uma obrigação maior ainda a solidariedade de lutas, a importância da comunicação em vez do sectarismo tosco, e anti-punk, que por vezes nós mesm@s tanto passamos perto de cometer. A importância de estar sempre aprendendo, sempre (se) perguntando, ao caminhar pra revolução cultural, ao invés de se isolar como se a subversão/revolução já estivesse feita e fosse de nossa propriedade. É bacana ressaltar que sempre temos participado, antes do EGA-DF (ajudando a organizá-lo), mas muito a partir dele, não como bloco nem grupo organizado, mas com um empenho e garra consideráveis, em uma série de correrias afins como o M.P.L., o c.m.i. daqui, rádio livre, grupo de estudo do anarquismo, também no próprio espaço da C.G.A.. Estavam presentes discussões/grupos de mídia independente, de gênero, punks, do meio estudantil/universitário, hip hop,... Formaram-se referências: a Convergência de Grupos Autônomos, depois o Movimento Passe Livre-D. F., e então, né, lá pelo começo de 2005, meio que depois do período do Fórum Social,, ganha mais forma o Koletivo de Resistência AnarcoPunk-D.F., com o intuito básico mínimo de dar maior coletividade, união, associação, entre punks. Antes da, e durante a, existência inicial do coletivo, ocorria paralelamente, seguindo esse sentido da crescente maturidade política autônoma na cidade, um contato maior entre nós punks daqui de Bra$ília. Não graças a um decreto do k.r.a.p., até porque eram pouc@s @s integrantes reais do coletivo, mas em alguma forma por causa desta iniciativa também, passamos boa parte da primeira metade do ano realizando um processo bem implícito, que pode ser difícil de detectar num primeiro momento, atravessamos meses ganhando mais confiança interpessoal, extrapolando aquela coisa clássica de muitas cenas de cidades médias ou grandes, um conjunto de grupos-de-roles separados, cabreros/sem-afinidade/tretados, o que também havia por aqui. Ainda nesse sentido, apareceram pessoas (bem) novas sem paranóias nem modismos clássicos, o que também deu muita liga nessa vivência/interação/camaradagem entre @s anarcopunks da cidade. Fizemos alguns eventos/gigs, como o “arte e sabotagem”, em Planaltina, com belíssimas intervenções de poesia e de teatro, o “afropunk” no Instituto Comunidade Praia Verde, espaço que lida com cultura afro, da Candangolândia, com o valoroso camarada anarcopunk sul-africano, da Federação Anarco-Comunista Zabalaza, Johnnatan, o “se não mudamos o mundo tampouco ele nos mudou” no Gama, o penúltimo organizado diretamente pelo nome do K.R.A.P., todos com a significativa e essencial presença de pessoas não-punks, simpatizantes com os temas. Nas férias de meio do ano tentamos ocupar e encantar o “Hotel Guarapari”, clássico e tático local abandonado daqui, iniciativa muito válida e que nos deu experiência, mas mal-sucedida por repressão de capangas e erros nossos.

O Instituto Comunidade Praia Verde, no bairro de Candangolândia, foi o espaço também de pelo menos outras três importantes atividades pra nossas movidas aqui, em ordem temporal, o Encontro Local AnarcoPunk (nível d.f.), o II Encontro de Grupos Autônomos-d.f.., o I Encontro Regional [Centro Oeste] AnarcoPunk. No Encontro Local (Setembro) fizemos discussões e reflexões variadas, mas basicamente sobre a realidade local, óbvio. Não tiramos muitos encaminhamentos pra cumprir nem um relato formalizado, mas houve alguns pontos avaliativos gerais, como tentar caminhar em nível local com tranqüilidade/maturidade, sem querer fabricar um Movimento AnarcoPunk do Distrito Federal, continuar com a experiência do Coletivo; e que @s punks da cidade poderíamos seguir, pelo momento de então, como um grupo de afinidades; que o próprio momento do encontro era bom para tocar mais coisas do que as que já vinham sendo feitas; que o encontro era fruto de uma interação maior entre nós anarcopunks da cidade; que tínhamos disposição para organizar um encontro centro oeste;... E, pra fazer o regional, sendo que ele ocorreu no meio de Outubro, o tomamos como pauta maior até lá, articulando contatos com pessoas das outras realidades participantes, Cuiabá, Uberlândia, Goiânia. Também houve falas relativas a Porto Alegre, já que havia compas que eram de lá ou por lá tinham passado um bom tempo. Importantíssimo foi este momento. Lógico que, muito com base na experiência do discutido em nosso fórum local, tivemos ações paralelas até a chegada d@s compas, estudamos o caso de uma ocupa em Brazlândia, que resolvemos abortar, e um ato contra o repressor e irracional circo animal Beto Carrero. Contudo, o fato é que finalmente havia ocorrido um Encontro Centro Oeste, isto é, as várias realidades da região estavam presentes, fizeram um bravo esforço para comparecer, discutir e deliberar, não houve uma reunião de punks de brasília, apesar de, lógico, pela localização, foram maioria nas plenárias. Muito importante, realmente, a presença e a comunicação, interação de tod@s @s presentes, isso em nível interestadual! Discutimos, nos simpatizamos, e tiramos encaminhamentos/consensos, organizados, desta vez, em um relato, com todas as ressalvas, entretanto, de que tínhamos feito uma primeira atividade neste campo regional. Além do que, passou-se mais de um dia discutindo –e tentando quebrar- velhos tabus do meio punk, dentre eles o a banalização da violência, personalismo, sectarismo,... Até o fim do ano de 2005 do calendário cristão, o coletivo teve seguidas e inchadas reuniões de uma grande punkaida interessada, incluindo pessoas de fora que estavam no Encontro Regional, com quem, vale colocar, sempre tivemos boa relação. O Koletivo se via, por aí, com reuniões periódicas, muita gente, uma camaradagem mais forte ainda, e alguns acontecimentos/pautas/discussões prioritárias. Fomos fundamentais na organização do II E.G.A., quando houve, inclusive, o ressurgimento do libertário coletivo de teatro Rosa Negra, com boa peça “sobre o Estado”, repetida no “mundaréu”, já à época do Encontro Regional. Pena o grupo ter acabado logo depois daí. Discutimos, como estamos fazendo até hoje e este texto de apresentação é fruto disso, nossa (re) organização geral, fomos convidados por dois manos libertários a co-gerir, desenvolver alguma coisa, em aberto, que fosse em um espaço rural, numa chácara (“Satanás Querido”/ “Ternurinha do Caos”), tiramos de articular, um pouco na linha de um dos encaminhamentos regionais, um Dezembro anti-fascista aqui, nos afastamos do Instituto Praia Verde, por sábios e autônomos motivos nossos, percebemos que a relação não era de muito respeito, inclusive para conosco, enfim, começamos a pautar várias coisas, ter várias pautas pra discutir...O “dezembro anti-fascista” ocorreu, mas menor do que o que tinha sido proposto. Fizemos uma intervenção no bairro do Gama, com exposição de mural/panfletagem, outra no centro da cidade-setor comercial sul-, na verdade mais um apoio a outra intervenção autônoma, maior, que estava ocorrendo, que finalizou com um rebatismo da praça, cujo nome era relacionado à ditadura dos milicos, e ficou sendo “praça do povo”, a mídia local chama assim até hoje. Ainda foi feita uma semana, no conic, área central da cidade, só de mostra de vídeos, todos com temática anti- fascismo/preconceito/conservadorismo, com destaque para a boa estrutura da mostra e a presença de camaradas de grupos afins (mpl, mtd, e outr@s, do meio autônomo). Passamos bastante tempo sem reuniões, uma vez que o tempo de virada de um ano pra outro é complicado, culminando, no primeiro dia de Janeiro de 2006, com um histórico e covarde aumento de passagens, de mais de 21 por cento, chegando a mais de 50 por cento. Foram muit@s @s que quase deram sangue nessa comprida luta, incluindo nós. Vários bairros e indivíduos se envolveram bastante nisso, e durante uns bons meses, com o protagonismo necessário do M.P.L.-D.F.. Todos fizemos o que pudemos na luta, mas até hoje chegamos a pagar seis reais numa viagem urbana simples. A chácara, ficamos sabendo, já tinha voltado a ser do dono de novo, com a volta do mesmo. Fato, na verdade, posterior à nossa indisposição em articular qualquer coisa por lá, ou pensar coletivamente, consensuar o que fazer, tivemos problemas neste sentido, foi complicado sentar pra discutir essa pauta.

Caminhamos neste ano de 2006 com menos gente, e sempre discutindo/fazendo reestruturação, o que não nos impediu de tocar algumas coisas pra frente. Uma delas foi, no clima do ano de eleições, e de crítica a elas, por exemplo o lema que vem ganhando força “existe política além do voto”, a discussão que organizamos no sugestivo dia primeiro de abril (“dia da mentira”) no bairro de brazlândia, no “espaço 35”, usando o vídeo “o espetáculo democrático”.Foi um dia extremamente interessante, e concluímos que estava ali uma possibilidade de algum trabalho mais constante, uma intervenção mais de base.A discussão foi muito boa, um bom número da comunidade dali perto apareceu e fez várias falas bem críticas às atuais eleições, foi um dia que talvez mereça mesmo um relato à parte.Nesse sentido, entre uma reunião e outra, decidimos que poderíamos fazer alguma intervenção relativa ao primeiro de maio no mesmo bairro, de falar sobre um outro primeiro de maio, esquecido.Desta vez, fizemos em uma escola, na mesma quadra residencial de antes, comparecendo mais um público jovem. No mais, não custa nada lembrar das panfletagens na embaixada da Espanha, em solidariedade ao caso de injustiça catalã contra os manos Rodrigo, Juan, Alex, Rubens, Ignasi, sendo que Juan e Rodrigo ainda estão presos, atravessando dias em greve de fome, e mais recentemente, na nona Parada do Orgulho LGBTS, sobre “lute consciente, voto nulo”, já que o tema era “vote consciente, vote arco-íris”.

Por vezes temos avaliado que podemos e temos de continuar alguns eixos gerais de nossa modesta atuação, como: nossa estrutura; fortalecer projetos, com intervenções mais constantes nossas, este talvez um ponto mais novo; além, é claro, de ajudar em iniciativas/projetos afins que já existem, principalmente de movimentação autônoma e subversiva. Cada coisa dessa pode ter respectivos exemplos. Quanto à nossa logística, falamos de finanças, comunicação interna, reuniões, captação de recursos; sobre trabalhos mais duráveis vemos a possibilidade da proposta de um cineclube em um bairro popular onde já temos algum contato; sobre participar em movimentações afins, é certo que estamos dispostos a integrar a Convergência de Grupos Autônomos daqui, ajudando na idéia do ainda inicial projeto de uma Outra Campanha, “existe política além do voto”, onde os grupos passariam por parte do d.f com esta mensagem, incluindo o crap e o mesmo bairro de Brazlândia, o que pode ser um momento para os grupos avançarem nas suas militâncias, e descentralizando-as. A Outra Campanha, assim, é algo pra ser realizado.

NÓIS MEMO

Somos um coletivo anarcopunk. Somos libertários, anarquistas, punks. Uma coletividade, não uma panelinha onde só entra quem nós julgarmos bonit@s ou engraçad@s nem um grupo político fechado em dogmas ideológico-científicos. Pessoas que, como tod@s @s outras, são únicas, sem cópia, sem clone, apesar da imposta e, infelizmente muitas vezes reproduzida e bem-vinda, padronização babaca da nossa sociedade de massas. Uma massificação, na verdade, que dita a autoridade pra nós, a crença cretina de que há superioridade entre os seres. Somos (de novo! hehe) tantas coisas, tantas idéias, justamente elas que tanto nos unem, mas, quem diabos somos/seríamos nós?A pergunta não tem, pra bem ou pra mal, uma resposta curta, mas talvez simples, sim. Não temos um espaço formal nem aprofundado tanto do que seriam nossos princípios quanto de leitura do mundo, da história, ou da nossa realidade. Contudo, existem pontos que nos unem, nos levam a atuar, a consensuar e a consensuar a atuar. Enfim, algumas várias aspirações e inspirações.

Inspirações:
Antes de muita coisa, um nome, uma identidade, “punk”, de algum jeito, nos une. Pra nós bem diferente de um purismo moralista alternativo ou apenas uma estética agressiva, punk é uma contracultura, uma cultura subversiva da bosta de lógica autoritária/burguesa que aí está posta. Uma ética, uma prática do que você mentaliza, pretende, a realização de si mesm@, do ser humano. Não só fazer você mesm@, ser você mesm@! Por isso também, vale colocar, esta cultura de mudança, de questionamento, não está fechada, é construída pelos significados que todos damos pra ela. Acreditamos que esta ética autônoma, libertária, também pode muito bem ser praticada por tod@s, as realizações plenas de cada um não deixam de ser coletivas, e está extendida, presente, em muitas subversões pelo mundo afora. Assim, temos a intenção de encarar coletivos punks como movimentos sociais, lado a lado com setores oprimidos para transformar aquilo que tanto questionamos, discordamos, ou seja, queremos nos organizar para contribuir pra tão querida revolução social. Como o próprio relato acima demonstra, damos muito valor à comunicação entre nós, entre tod@s, para caminharmos unid@s e subversiv@s. Em termos de princípios gerais, fechamos bastante com os da movimentação autônoma conjunta daqui, que ajudamos a elaborar: procurar caminhar com consenso; independência (maior insubordinação possível do “sistema”); horizontalidade; autonomia (livre associação, autogestão,...);...

Aspirações:
Auxiliar na revolução, e em práticas e valores que caminhem neste sentido. Contribuir com a associação subversiva de pessoas, de valores, de interesses, de costumes. Por exemplo, existem valores, de igualdade e diversidade entre seres, anárquicos, assim como práticas, de associação, apoio mútuo, ação direta. Moral, prática, são elementos de uma ética. Diferente de descobrir a verdade, tomar consciência da realidade, a pessoa revoluciona quando confia no poder da associação coletiva. Assim nos emancipamos, quando arregaçamos as mangas, ou as almas, e tentamos fazer por nós mesm@s, conosco mesm@s, ser nós mesm@s. Nós, oprimid@s, tod@s sabemos que somos explorad@s ou que não usufruímos plena e felizmente da existência, do poder que nos são roubados/diminuídos, nós sentimos isso. Uma grande mudança, por exemplo, vem quando passamos a desacreditar na máxima que cada um/a possa e deva exercer acumulação de capital, subvertemos isso, exercitando associação, comunicação, confiança e respeito mútuos. Ao invés do carreirismo especulador e do lucro máximo em cima d@s outr@s, a realização dos nossos sonhos. Que cada pessoa possa realizar algum sonho seu, desenvolver alguma cultura. Que façamos nós mesm@s, sejamos nós mesm@s. Aspiramos mudar esta vida, mudar esta sociedade.






KRAP

11 janeiro 2007

Olá pessoas!
Este é o novo blog do KRAP e, por ser novo, estamos o construindo pouco a pouco e segundo as deliberações tiradas no Koletivo; por isso sua permanência, mesmo que em pouco tempo, "parado"... estarmos o atualizando logo logo, aguardem e confiram!!!



Este blog servirá com um meio de propaganda, tanto das atividades do Koletivo, como de nossas reflexões, discussões, pespectivas internas, textos sujeridos pelos membros, atividades e reflexões do meio autônomo, anticapitalista, libertário, feminista, popular, antifascista, de coletivos camaradas e próximos, de lutas travadas, de notícias que devem ser publicadas, etc. Registrando, também, um pouco de nossa história...

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"PODER PARA O POVO!!"