19 maio 2010

“Nem Deus, Nem Patrão, Nem Marido”


[A história de 4 operárias que lançaram um jornal anarcofeminista. Esta é a base do filme “Nem Deus, Nem Patrão, Nem Marido”, de Laura Mañá, que estréia na Argentina em 24 de junho de 2010.]

Sinopse

Quando a polícia rosarina ameaça de morte Virgínia Bolten como represália a seu discurso anarquista, esta se emigra para Buenos Aires. Uma vez ali, busca refúgio na casa de Rogelio, um homem de espírito generoso e solidário que foi amigo de seu pai. Virgínia logo estabelece com Matilde, uma mulher também anarquista que leva a cabo sua militância em uma fábrica de fiação, propriedade de Genaro Volpone.

Este encontro se produz quando na fiação estoura um conflito pela demissão de uma das operárias. É nessa ocasião, a presença de Virgínia é decisiva para levar adiante o protesto. Ainda que as medidas de força não alcancem seus objetivos, como conseqüência da mesma se constitui um grupo que, junto a Virgínia, tentará tornar realidade um velho projeto desta: a edição de um periódico anarquista em que a voz da mulher ressoe com uma firmeza e contundência inédita para a época.

Depois de se salvar de vários revés, o periódico La Voz de la Mujer ganha as ruas, convertendo-se no primeiro na América Latina que englobou as idéias comunistas-anarquistas e feministas.

A fortaleza da personalidade de Bolten transcendeu os limites da cidade: ela encabeçou a primeira comemoração e marcha pelo 1º de Maio, em 1890.

Ficha artística

Maria Alche, Alejandra Darin, Ulises Dumont, Daniel Fanego, Ana Fernandez, Agatha Fresco, Joaquin Furriel, Esther Goris, Jorge Marrale, Laura Novoa, Eugenia Tobal.

Ficha técnica

Dirigida por Laura Maña; Roteiro: Graciela Maglie e Esther Goris; Diretor de produção: Facundo Ramilo; Fotografia: Oscar Perez; Som: Jorge Stavropulos; Música original: Mauro Lázzaro; Edição: Frank Gutiérrez; Vestuário: Graciela Gaján; Produtor executivo: Alejandra Brandan (Arg), Maria Jose Poblador (Esp); Produção Geral: Fernando Sokolowicz, Maria Jose Poblador, Claudio Corbelli.

Uma produção de San Luis Cine, Cinema Uno e Luna Films em co-produção com FELEI Cooperativa Ltda., Fundación C&M e Aleph Media com apoio de INCAA, ICAA e Generalitat de Catalunha. Distribuição: Primer Plano Film Group S.A.

A respeito de Virginia Bolten

Era filha de um vendedor ambulante alemão. Trabalhou em uma fábrica de sapatos e logo na empresa açucareira Refinaria Argentina de Rosário. Casou-se com um anarquista uruguaio de sobrenome Márquez, ativista no grêmio de sapateiros.

Em 1° de Maio de 1890, encabeçou a primeira manifestação pelo 1° de Maio em comemoração aos Mártires de Chicago, levantando uma bandeira negra em letras vermelhas com os escritos: "1° de Maio, Fraternidade Universal". Logo depois de pronunciar um discurso revolucionário e difundir propaganda anarquista aos trabalhadores em frente da Refinaria Argentina, é detida sob a acusação de atentar contra a ordem social. Foi a primeira mulher oradora em uma concentração operária.

Durante 1896/1897 editou o primeiro periódico anarcofeminista La Voz de la Mujer, cujo lema era "Nem Deus, nem patrão, nem marido". Neste periódico se divulgam os ideais do comunismo libertários, as injustiças contra os trabalhadores e em especial contra as mulheres. Também colaborou nas páginas do jornal La Protesta.

Participou como oradora em atos anarquistas em cidades como San Nicolás de los Arroyos, Campana, Tandil y Mendoza. Em novembro de 1900 foi presa junto a Teresa Marchisio e outros quatro anarquistas por organizar uma contramarcha em repúdio à procissão católica da Virgen de la Roca, em Rosário. Também organizou a "Casa del Pueblo" junto a outros anarquistas, realizando eventos políticos-culturais, debates, discussões, leitura de poesia e teatro para os operários. Em 20 de outubro de 1901 foi presa por distribuir propaganda anarquista nas portas da Refinaria Argentina durante um conflito em que morreu pela repressão policial o operário Cosme Budislavich. Em 1902 participou de uma manifestação em Montevidéu no 1° de Maio, e como oradora denunciou a Lei de Residência Argentina e a repressão ao movimento operário. Este ano participou também de um ato do Sindicato Portuário no teatro San Martín. Em 1904 voltou a Buenos Aires e formou parte do Comitê de Greve Feminino organizado pela Federação Operária Argentina, mobilizando aos trabalhadores do Mercado de Frutos de Buenos Aires. Essas febris atividades causaram em Virginia Bolten problemas de saúde; seus companheiros do grupo de teatro Germinal iniciaram uma coleta em seu benefício. Em 1905 foi novamente presa e seu companheiro Márquez foi deportado ao Uruguai, aplicando-se a Lei de Residência.

Em 1907, participou na greve de inquilinos como parte do "Centro Feminino Anarquista", razão pela qual se aplicou a Lei de Residência e foi expulsa para o Uruguai, sendo Montevidéu seu lugar de radicação definitiva. Sua casa se converteu em uma base de operações dos anarquistas deportados da Argentina. No Uruguai se reuniu com sua família, composta por Márquez e seus filhos pequenos. Em 1909 colaborou com o periódico anarcofeminista dirigido por Juana Rouco Buela, La Nueva Senda (1909-1910). Em Montevidéu organizou protestos pela brutal repressão ao 1° de Maio de 1909 em Buenos Aires, onde as forças policiais de Ramón Falcón assassinaram cerca de uma dezena de operários. Também participou da campanha a favor do pedagogo Francisco Ferrer y Guardia, fusilado en Montjuich em 1911. Neste ano trabalhou na Associação Feminina - Emancipación, organizando as mulheres anticlericais, a operadoras telefônicas (em sua maioria mulheres) e ativa contra as sufragistas femininas.

Formou parte do grupo que apoiou o anarco-battlismo junto a Francisco Berri, Adrian Zamboni y Orsini Bertan (anarquistas que apoiavam ao regime do presidente reformista Battle y Ordóñez, que laicizou o estado e a repartição pública, além de nacionalizar empresas de capitais estrangeiros). Durante este processo, o anarquismo perdeu apoio popular e ganhou preponderância o Partido Socialista do Uruguai. Durante 1913 o periódico do partido, chamado El Socialista, atacou fortemente a Bolten e seu grupo, acusando-las de trair ao movimento operário.

Nos últimos anos de sua vida integrou o Centro Internacional de Estudos Sociais, uma associação libertária de Montevidéu durante 1923. Segundo se crê, continuou vivendo no bairro de Manga, em Montevidéu até sua morte, ao redor de 1960.

Virginia Bolten foi apelidada a "Louise Michel rosarina".

Fonte: http://es.wikipedia.org/wiki/Virginia_Bolten

Sobre a diretora

Laura Maña, nasceu em Barcelona, Catalunha, Espanha, em 12 de janeiro de 1968. É atriz e diretora de cinema.

Biofilmografia

Como Diretora: La vida empieza hoy - A vida começa hoje (2008); Ni Dios, ni patrón ni marido - Nem Deus, nem patrão, nem marido (2007); Morir en San Hilario - Morrer em San Hilário (2005); Palabras encadenadas - Palavras acorrentadas (2003); Sexo por compasión - Sexo por compaixão (2000); Paraules (1997).

Como Atriz: Romasanta (2004); Trece campanadas - Treze Badaladas; Nowhere; Libertarias (1996); Pizza Arrabbiata (1995); La Teta y la luna - A teta e a lua (1994); Lolita al desnudo - Lolita descoberta (1991).

agência de notícias anarquistas-ana

14 abril 2010

Google: uma nova abordagem para a privacidade?

http://passapalavra.org

Após um ataque chinês, o Google ameaça encerrar as atividades na China sob pretexto de liberdade de expressão. Por Gus e Pietro


O Google, o Yahoo, a Microsoft e outras empresas de tecnologia da informação publicamente colaboram com o governo chinês a censurar e reprimir os seus cidadãos. Isso não é nenhum segredo ou dito envergonhadamente. Muito pelo contrário, desde 2006, a gigantesca corporação de Mountain View, o Google, mantém parte da sua infra-estrutura técnica hospedada em território chinês e disponibiliza seus serviços no país através do site “google.cn”.

Um dos mecanismos mais cotidianos da colaboração é a filtragem do conteúdo das buscas. Por exemplo, quando um internauta chinês busca por “Praça da Paz Celestial”, dos resultados são eliminados todos os sites relacionados ao massacre dos estudantes chineses em 1989 - a famosa cena do homem enfrentando os tanques do governo não é exibida - e uma nota explicativa é mostrada: “Os resultados da pesquisa que podem não cumprir as leis, regulamentações e políticas, não serão mostrados” [1].

Entretanto, num comunicado publicado no dia 12 de Janeiro [2], no blog oficial da empresa, o vice-presidente sênior de Desenvolvimento Corporativo e Diretor Jurídico do Google, David Drummond, afirma que recentemente sofreram um grande e sofisticado ataque. Após investigação interna descobriram que o mesmo partiu do território chinês e “resultou no roubo de propriedade intelectual do Google”. E ainda, o ataque atingiu outras vinte grandes empresas - sem identificar quais -, mas que estão trabalhando com as autoridades competentes dos Estados Unidos para notificá-las.

Nessa investigação também foi revelado que contas de emails de ativistas de direitos humanos - dos Estados Unidos, da Europa e da China - que apóiam a dissidência chinesa têm sido acessadas por terceiros, acesso esse obtido através de outros ataques virtuais mais comuns (virus, trojans e phishing scams).

Há rumores de que o governo chinês seria o responsável pelo ataque, apesar de não haver provas. Mesmo assim, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, fez uma declaração exigindo explicações do governo chinês [3]. Perante essa situação hostil, o Google decidiu tomar uma nova posição em relação à China. Pela “liberdade de expressão” não irão mais se autocensurar: “Nós decidimos que não estamos mais dispostos a continuar censurando nossos resultados no Google.cn”. Caso o governo chinês não aceite negociar, talvez os seus serviços não serão mais oferecidos e a empresa encerrará suas atividades no país.

No decorrer das reportagens sobre o caso, um funcionário da empresa revelou na imprensa que os invasores utilizaram um sistema interno de interceptação criado pelo Google para que pudesse executar os mandados de busca e entregar informações dos usuários [4]. Outro caso de colaboração do Google com o governo ocorre no Brasil. Desde 2006 a empresa disponibilizou uma ferramenta semelhante para que a Polícia Federal possa rastrear usuários do site Orkut, sem necessidade de ordem judicial [5]. Assim, cabe questionar: se o Google está ameaçando abandonar a China e encerrar as atividades no país, porque não toma a mesma postura em relação aos outros países, isto é, porque não se recusa a violar a privacidade de seus usuários? Ou ainda, porque não torna público o uso dessas ferramentas por outros governos?

A política dos serviços prestados pelo Google é tema de diversos debates sobre privacidade, ou melhor, sobre a sua violação. Sob o famoso lema “Don’t be evil” (“Não ser mau”), o Google construiu uma grande rede de serviços online que coletam dados de seus usuários. Após a coleta ocorre um processo de garimpagem de dados (data mining) para tipificar os usuários segundo padrões de gosto e comportamento. É uma técnica que pode ser utilizada para tornar a publicidade mais eficiente, isto é, a propaganda passa a ser orientada com base no que os usuários estão pesquisando, enviando, assistindo ou digitando. Certa vez, quando duas estudantes conversavam pelo GMail sobre comer comida japonesa à noite, não demorou para que surgisse uma propaganda ao lado da conversa oferecendo o delivery de sushi. Um exemplo entre muitos, essas propagandas ocorrem na maioria dos serviços do Google e seus usuários já se habituaram com a invasão de espaço e de privacidade.

Para os diretores do Google, privacidade não combina com liberdade ou ainda liberdade de expressão. Como afirmou o CEO do Google Eric Schmidt, em 2009, “Se você faz algo e não quer que ninguém saiba, talvez, primeiramente, não devesse fazê-lo”. Essa argumentação foi respondida com sarcasmo, pois em 2006 o mesmo negou-se a dar entrevista ao site CNET após terem feito um dossiê sobre a sua vida: salário, onde morava, entre outras descrições. Todo material fora obtido através do próprio site. Pois, então, perguntaram-lhe: “Se você não quer que saibamos seu salário, porque você não deixa de ganhá-lo?”

Muito além do Big Brother… “Scroogled”

Palavras-chave de buscas, os resultados clicados, sites visitados, os emails lidos e enviados, com quem conversa e com qual frequência, os vídeos assistidos, a lista de contatos… Todos esses dados são coletados pelo Google e isso é informado em sua política de privacidade. O que aconteceria se todo esse material fosse parar na mão dos governos? Baseado nisso, o jornalista canadense e escritor de ficção-científica Cory Doctorow escreveu em 2007 o conto “Scroogled” [6]. Nesse texto encomendado pela revista Radar, o futuro próximo é uma distopia[7] em que o Google é contratado pelo governo estadunidense para ajudá-lo no combate ao terrorismo. A história pode ser lida aqui.

O autor apresenta a vida de Greg Lupinski, um ex-funcionário do Google que ao voltar das férias no México e ao passar pelo interrogatório no aeroporto, torna-se um suspeito de terrorismo. Para contornar a situação e escapar dos agentes do Departamento de Segurança Nacional, a sua amiga e funcionária do Google, Maya, ajuda-o com um programa para reinventar sua identidade virtual. Mas um programa seria capaz de enganá-los? A dúvida tira-se lendo. Entretanto, a qualidade deste escrito está justamente em não ser um devaneio futurístico, mas em ser constituído por informações e hipóteses plausíveis sobre a dimensão dessa empresa.

Descritas ao longo do conto, as ferramentas do Google podem ser muito eficientes em extrair informações. Por exemplo, em uma das passagens de “Scroogled”, durante o interrogatório no aeroporto, Greg revela o caráter íntimo e privado das suas buscas:

“Greg sentiu um aperto. ‘Você está vendo as minhas buscas e meu e-mail?’ Ele não tocava num teclado há mais de um mês, mas sabia que o quer que tivesse introduzido naquele campo de busca seria bem mais revelador do que tudo o que ele já havia dito ao seu psiquiatra.”

A garimpagem e o armazenamento de dados sobre a vida das pessoas permite a elaboração de dossiês biográficos que nenhum regime ditatorial pode escrever tão detalhadamente e com tanta precisão. As informações não são obtidas por torturas, mas sim por colaboração voluntária através de uma interface amigável.

Entre distopias, uma obra de grande referência é 1984, de George Orwell, onde a tecnologia empregada pelo governo “Big Brother” eram as teletelas [écrãs gigantes], que asseguravam um monitoramento constante e uma comunicação imperativa que coagia os indivíduos a realizarem suas tarefas, sendo assim uma forma de evitar a subversão. O dia-a-dia dos indivíduos desse romance era tomado pela ausência da liberdade. A teletela [écrãs gigantes] aí possui a função de tutelar, ou ainda, de disciplinar os indivíduos. Mas o Google controla-os: sabe tudo, sobre todos os que usam seus serviços. A cada clique o indivíduo produz uma prova contra si próprio; a cada email enviado, uma delação de si próprio. No caso do “Scroogled”, os indivíduos são supostamente livres e apenas os comportamentos típicos de “terroristas” é que são o alvo de investigações. Apesar da natureza diferente dessas ferramentas - uma de origem governamental e outra do setor privado - e de serem concebidas de modos tecnologicamente diferentes - uma baseia-se na vigilância forçada e a outra é um ato voluntário -, elas não são excludentes e podem funcionar em complemento uma com a outra, de modo que os indivíduos estejam sempre a ser capturados, registrados e armazenados num banco de dados. De um jeito ou de outro, mas sempre conectados.

Da ficção à realidade

A Grã-Bretanha é reconhecida internacionalmente como um dos países que mais investe e utiliza as câmeras de circuito interno (CCTV). Porém, as estimadas 4 milhões de câmeras não diminuíram significativamente os crimes. Segundo o periódico Telegraph: “Para cada 1.000 câmeras em Londres, menos de um crime é resolvido por ano” [8]. O efeito da implantação das CCTV possui muito mais valor simbólico, isto é, de introjetar o medo na população, do que consegue evitar ou resolver crimes.

No Brasil o governo mantém uma rede dos bancos de dados de segurança pública, a Infoseg, mantida pelo Ministério da Justiça através da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). Nela é possível consultar os dados sigilosos de qualquer cidadão brasileiro. Nas ruas do centro de São Paulo o acesso a essa rede era vendido ilegalmente pelo pagamento de R$2.000 [9]. Além desses bancos de dados já existentes, em 2009 quase foi aprovada a “Lei Azeredo”, de autoria do senador Eduardo Azeredo, para tipificar os “cibercrimes”. Nela, buscava-se autorizar o monitoramento de todos os internautas brasileiros tornando obrigatório que os provedores de internet e locais de acesso a internet (como as lan houses) guardassem um registro de todos os usuários por pelo menos 6 meses. Além disso, os provedores eram obrigados a fiscalizar seus usuários para saber se faziam algo ilegal. Ativistas, blogueiros e demais nomearam o projeto como o “AI-5 digital”. Porém, diferente do que aconteceu em 1968, este não saiu do papel devido à pressão contra a sua votação e resultou em seu congelamento.



Já no caso da coleta e armazenamento de dados por empresas e governos, o autor de “Scroogled” traz uma metáfora interessante. Diz ele que esses dados pessoais são como lixo nuclear: perigoso, de longa duração e uma vez que há vazamento não há volta [10]. Um vazamento desse tipo ocorreu em 2006, quando o site America On Line (AOL) disponibilizou por acidente mais de vinte milhões de termos de busca de mais de 650 mil usuários. Apesar dos usuários serem identificados apenas por um número, ainda assim foi possível identificar alguns deles. Quanto tempo levará para esses dados se tornarem obsoletos?


Tanto as câmeras como as ferramentas de interceptação de dados representam a quebra do princípio da privacidade e a construção de uma infra-estrutura de controle ininterrupto das populações. Desse ponto de vista, a fronteira entre o governo chinês e os países democráticos desaparece. Não é descabido afirmar que hoje o Google sabe mais sobre os cidadãos do que qualquer governo, pesquisa de mercado ou mesmo o seu psicólogo. O caso do ataque chinês e a ameaça do Google tornam claro que não se trata de liberdade de expressão, mas sim de uma encruzilhada: ou abandonar o maior mercado do mundo ou ver serem revelados a sua propriedade intelectual - e os seus segredos.

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Notas

[1] Mensagem original em inglês: “Search results may not comply with the relevant laws, regulations and policy, can not be displayed”

[2] “New approach to China” (“Nova abordagem para China”): http://googleblog.blogspot.com/2010/01/new-approach-to-china.html

[3] http://www.state.gov/secretary/rm/2010/01/135105.htm

[4] “Google attack part of widespread spying effort” http://www.computerworld.com/s/article/9144221/Google_attack_part_of_widespread_spying_effort?taxonomyId=13&pageNumber=1

[5] http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u21063.shtml

[6] Scroogled: um neologismo que une “Screwed” (ferrado) e “Google”.

[7] Segundo o Houaiss (BR) é “localização anómala de um órgão”. Segundo o Porto Editora (PT) é «lugar imaginário onde tudo é negativo».

[8] http://www.telegraph.co.uk/news/uknews/crime/6082530/1000-CCTV-cameras-to-solve-just-one-crime-Met-Police-admits.html

[9] PF apura venda de senha para rede de dados, 29/08/2008 http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u439202.shtml

[10] “Personal data is as hot as nuclear waste” http://www.guardian.co.uk/technology/2008/jan/15/data.security

Etiquetas: Repressão_e_liberdades, Vigilância

23 fevereiro 2010

Rock Against Arruda CANCELADO

Olá amigxs,
(essa história de cena no fundo ainda se trata disso né?)

É com uma tristeza profunda que a gente vem anunciar que por mais hercúleos que foram nossos esforços, não teve jeito, a próxima empreitada do Caga-Sangue, o Rock Against Arruda, está cancelada. Por uma decisão do Balaio Café, o evento que aconteceria nessa sexta-feira, 26, não vai mais rolar. Não temos nenhum espaço para realizá-lo.

Como já era o terceiro local para o qual a gente corria desesperadamente pedindo um buraco para fazer música e como faltam apenas cinco dias para a data marcada do show, não nos resta muito a não ser desistir, lamentar e pedir desculpas a quem queria muito que esse evento rolasse. Vocês devem imaginar que não tinha ninguém que queria maisisso do que a gente.

Mais do que um problema de uma cena específica, de música barulhenta na capital, a falta de espaços para encontros é um sintoma dessa cidade de merda que a gente vive, que promove a segregação como plataforma política. Já havíamos abordado esse tema em um texto chamado Banidxs no DF, que foi espalhado no último show que a gente organizou, em julho do ano passado.

São os tempos que a gente vive: muita apatia, passividade e diversão em shopping center. Alguma vez foi diferente? Só que a gente não desiste fácil não. A derrota é velha conhecida, parceira.

Como diria aquela canção, “Vamo que vamo, perder de vez”.

Coletivo Caga-Sangue Thrash
www.cagasanguethrash.wordpress.com

PS 1: Quem tiver sugestões ou ideias de local pra show, por favor, escreva pra cagasanguethrash@gmail.com

PS 2: Além de toda a trabalheira de perambular até tarde na rua colando cartazes, a gente tinha preparado um belo gif animado do show pra espalhar pela rede. Mal pôde ser visto. Fica aí como mais um belo troféu desse grande fracasso: http://cagasanguethrash.files.wordpress.com/2010/02/cagaarruda.gif

15 fevereiro 2010

Rock against Arruda tem novo local!!!!



Pelo espaço de um suspiro a gente achou que o Arruda tinha vencido. Com sua política higienista, ele nos tirou o Conic, acabou com o Caga-Sangue e matou Joaquim Extremo. Resolvemos reunir forças para dar o troco. O local e a data da vingança estavam marcadas, mas nessa semana recebemos uma triste notícia do pessoal do Espaço Mosaico pedindo para cancelar o evento. Por mais um suspiro achamos que havíamos perdido de novo. A derrota é uma constante e uma amiga.

Mas foi aí que o pessoal do Balaio Café resolveu abrir as portas mais uma vez ao Caga-Sangue (a gente já tinha feito o lançamento do dvd do Caga lá em 2008). Então, temos o belo anúncio de que o Rock Against Arruda tem agora um novo local na mesma data: 26/02 (sexta-feira), no Balaio Café da 201 Norte.

Uma boa notícia para quem bebe é que lá não há restrições com relação a alcool e cigarros. É só ter um pouco de noção pra não ficar fumando no porão apertado cheio de gente subindo uma em cima das outras. Outra boa notícia é o que o local fica bem próximo da rodoviária do plano piloto, onde todo mundo pode pegar ônibus. O novo cartaz tá em anexo, o release segue abaixo. Por favor, espalhem pelos quatro cantos e façam essa rede subterrânea ferver contra o poder.

02 fevereiro 2010

Caga-Sangue Thrash apresenta: Rock Against Arruda


A próxima empreitada do coletivo Caga-Sangue Thrash acontecerá no próximo dia 26 de fevereiro. Inspirados pela turnê Rock Against Reagan, que juntou nomes como Dead Kennedys e DRI viajando pela costa oeste americana nos anos 80, o grupo resolveu juntar forças para organizar um Rock Against Arruda.

A ideia é mostrar um pouco da indignação contra o sistema de corrupção instalado na política institucional da capital fazendo o que a gente mais gosta de fazer: música raivosa. O objetivo é reunir um pouco da juventude da cidade para produzir sua própria diversão e pensar por conta própria.

Dessa vez, o show contará, além das apresentações das bandas, com um debate sobre as mobilizações e resistência do movimento “Fora Arruda” e sobre a atual conjuntura política no DF. O coletivo não possui qualquer envolvimento partidário, mas acredita que política é algo que pode fazer no cotidiano, sem necessidade de aparelhos formais de representação.

O ingresso, no valor de R$ 5, é o mais barato que podemos cobrar para cobrir os custos de aluguel, equipamento e fotocópia dos cartazes. Lucro não é objetivo, nunca foi. Uma prática que virou tradição dos eventos do Caga-Sangue, a distribuição de textos de política e pensamento divergente, também acontece nessa edição. Haverá ainda venda de material independente a preços camaradas e de comida vegana. As pessoas que aparecerem de bicicleta ganham um desconto no ingresso.

O novo local

Descolamos um novo lugar pra fazer shows. O pessoal muito gente fina do Espaço Mosaico topou abrir as portas para o Caga-Sangue. O lugar é perfeito para os nossos shows: pequeno, apertado, sem palco. Aquele desconforto que a gente gosta, sem divisão entre banda e público. A localização é bacana também, fica ali na 714 Norte, em cima da W3.

Esperamos que todo mundo que vá ao show perceba que conseguir um novo local para fazer shows em Brasília é uma vitória para toda a cena. Assim, é importante a gente ter noção de preservar o espaço, para que esse seja apenas o primeiro de muitos shows lá. É importante observar também que, a pedido do Espaço, não são permitidos álcool, nem cigarros no local do show. Claro que quem quiser fumar lá fora, pode fumar, não tem nenhum problema.

Outra marca de todos os shows do coletivo, é começar cedo para terminar cedo, para que todo mundo possa aproveitar a “beleza” do sistema público de transportes da cidade. A gente é nerd e não gosta de balada. Nessa ocasião não será diferente. Mesmo na sexta-feira, 23h é o nosso limite.

As bandas:

Possuído Pelo Cão: Toque rápido ou morra porque o thrash não morre não. Primeiro show em Brasília desde outubro de 2008. www.myspace.com/possuidopelocao

Terror Revolucionário: Crustcore energético de letras libertárias, ou como o pessoal da banda chama: Hardcore Livre. www.myspace.com/terrorrevolucionario

Gracias por Nada: Anarcopunx fazendo barulho. Soturno, pesado e a insana presença do Baezina.

http://www.myspace.com/graciazpornada

Maus Atos: Hardcore de moleque doido diretamente de Águas Lindas, ou Parque da Barragem. Primeiro show em Brasília.

Gulag: Estréia da banda nova de gente velha. Hardcore americano com um pé no Guará e outro no Cruzeiro.

O Coletivo

Caga-Sangue Thrash é um coletivo de pessoas envolvidas com música hardcore-thrash que organiza eventos sob a ética do “faça-você-mesmo” em Brasília. O Caga-Sangue tenta recuperar um pouco da insanidade, animação e espontaneidade na produção de contra-cultura da capital. É a feiura em forma de show de rock.

Os shows do Caga-Sangue são uma reunião de desajustadxs sociais. Se você se sente desconfortável no seu trabalho, deslocadx na escola, ou que não pertence às reuniões da sua família, não se preocupe, nós também.

Vemos o underground como um espaço para a diferença e não para reprodução das expectativas do resto do mundo. Acreditamos na produção DIY como uma maneira prática de vivermos alguns de nossos sonhos e pelo menos em algum aspecto não termos nossas vidas ditadas pelo dinheiro e status.


Caga-Sangue Thrash apresenta: Rock Against Arruda

26/02 (sexta) 18h-23h

Possuído Pelo Cão, Terror Revolucionário, Gracias por Nada, Maus Atos e Gulag

+ debate sobre Fora Arruda

Apenas R$ 5


www.cagasanguethrash.wordpress.com

cagasanguethrash@yahoo.com.br

14 dezembro 2009

Fogo antagonista contra toda autoridade!


Saudações ao/às que lutam!

Não somos uma nova organização que apresenta suas adoradas siglas aos meios massivos de controle e estupidização. Não somos uma nova guerrilha nem somos um novo partido. Não somos, não queremos e não pretendemos ser nenhuma Vanguarda, não dirigimos e nem representamos ninguém. Representamos a nós mesmo, é por isso que nos compomos como grupo de afinidade e decidimos autogestionar a luta contra tudo que nos oprime e nos explora. Decidimos contra-atacar, dar uma resposta à morte que o Estado e o capitalismo nos impõem em sua obsessão domesticadora.

Preferimos o silêncio. Atuar em total anonimato. Da coletiva insurrecta, mas novamente os meios massivos de controle a serviço dos exploradores tentam confundir o/as que lutam e nos obrigam a dizer o que eles ocultam. Todo/as somos vândalo/as e criminoso/as para o capitalismo e o Estado, sabemos que por trás da guerra contra as drogas se esconde a guerra contra o/as oprimido/as, contra o/as excluído/as, por isso decidimos contra-informar diante a mentira e a enrolação.

Faz exatamente uma semana, na segunda-feira passada, atacamos com fogo libertário a frota de patrulhas prontas para serem entregues às autoridades municipais no lote de estacionamento do Bulevar OHiggins (sobre a Via Rápida) na colônia Fortín de las Flores, junto à concessionária Mazda y Mega Dulces, desta cidade.

Conseguimos destruir 28 patrulhas novas da Secretaria de Segurança Pública Municipal, Modelo Pick Up Ford F-150 (tipo Lobo) 2010. Seis foram totalmente destruídas e 22 sofreram danos consideráveis, no valor de milhões de pesos em prejuízos.

Esta ação não é um ato de vandalismo muito menos uma operação do “crime organizado” realizada sob ordem dos Arellanos, ou do Dr Caro, ou do El Teos ou dos Muletas; esta é uma ação anarquista anônima em solidariedade com todo/as o/as nosso/as preso/as seqüestrado/as pelo estado, pela semana internacional de agitação e pressão solidária com o/as preso/as seqüestrado/as pelo Estado chileno e em apoio ao chamado à greve de fome do companheiro Gabriel Pombo da Silva como recurso de luta revolucionária de nosso/as companheiro/as na prisão. Nossa ação foi feita em solidariedade com o companheiro Emmanuel Hernández Hernández, preso na Cidade do México e em solidariedade com Gabriel Pombo Da Silva, Marco Camenisch, Juan Carlos Rico Rodríguez, Sergio María Stefani, Francesco Porcu, Alessandro Settepani, Leonardo Landi, Pablo Carvajal, Matías Castro, Axel Osorio, Diego Petrissans, Amadeu Casellas Ramón, Alfredo María Bonanno, Christos Stratigopoulos e com todo/as o/as preso/as anarquistas da guerra social.

Que as fumaças das chamas insurrecionalistas de nossa ação chegue até as suas celas, para que possam sentir o aroma libertário da gasolina, o grito de cada um de seus nomes ecoará nos ouvidos dos poderosos.

Que o contra ataque se multiplique, assim como as ações em todas as cidades.

A criatividade insurrecionalista não tem limites!

Prisioneiro/as seqüestrado/as nas prisões do capital às ruas!

Fogo às prisões do mundo!

Ação Anarquista Anônima

16 novembro 2009

Carta aberta de Cesare Battisti a Lula e ao Povo Brasileiro


CARTA ABERTA

AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR

LUÍS INÁCIO LULA DA SILVA

PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

SUPREMO MAGISTRADO DA NAÇÃO BRASILEIRA

AO POVO BRASILEIRO



“Trinta anos mudam muitas coisas na vida dos homens, e às vezes fazem uma vida toda”. (O homem em revolta - Albert Camus)

Se olharmos um pouco nosso passado a partir de um ponto de vista histórico, quantos entre nós, podem sinceramente dizer que nunca desejou afirmar a própria humanidade, de desenvolvê-la em todos os seus aspectos em uma ampla liberdade. Poucos. Pouquíssimos são os homens e mulheres de minha geração que não sonharam com um mundo diferente, mais justo.

Entretanto, frequentemente, por pura curiosidade ou circunstâncias, somente alguns decidiram lançar-se na luta, sacrificando a própria vida.

A minha história pessoal é notoriamente bastante conhecida para voltar de novo sobre as relações da escolha que me levou à luta armada. Apenas sei que éramos milhares, e que alguns morreram, outros estão presos, e muito exilados.

Sabíamos que podia acabar assim. Quantos foram os exemplos de revolução que faliram e que a história já nos havia revelado? Ainda assim, recomeçamos, erramos e até perdemos. Não tudo! Os sonhos continuam!

Muitas conquistas sociais que hoje os italianos estão usufruindo foram conquistadas graças ao sangue derramado por esses companheiros da utopia. Eu sou fruto desses anos 70, assim como muitos outros aqui no Brasil, inclusive muitos companheiros que hoje são responsáveis pelos destinos do povo brasileiro. Eu na verdade não perdi nada, porque não lutei por algo que podia levar comigo. Mas agora, detido aqui no Brasil não posso aceitar a humilhação de ser tratado de criminoso comum.

Por isso, frente à surpreendente obstinação de alguns ministros do STF que não querem ver o que era realmente a Itália dos anos 70, que me negam a intenção de meus atos; que fecharam os olhos frente à total falta de provas técnicas de minha culpabilidade referente aos quatro homicídios a mim atribuídos; não reconhecem a revelia do meu julgamento; a prescrição e quem sabem qual outro impedimento à extradição.

Além de tudo, é surpreendente e absurdo, que a Itália tenha me condenado por ativismo político e no Brasil alguns poucos teimam em me extraditar com base em envolvimento em crime comum. É um absurdo, principalmente por ter recebido do Governo Brasileiro a condição de refugiado, decisão à qual serei eternamente grato.

E frente ao fato das enormes dificuldades de ganhar essa batalha contra o poderoso governo italiano, o qual usou de todos os argumentos, ferramentas e armas, não me resta outra alternativa a não ser desde agora entrar em “GREVE DE FOME TOTAL”, com o objetivo de que me sejam concedidos os direitos estabelecidos no estatuto do refugiado e preso político. Espero com isso impedir, num último ato de desespero, esta extradição, que para mim equivale a uma pena de morte.

Sempre lutei pela vida, mas se é para morrer, eu estou pronto, mas, nunca pela mão dos meus carrascos. Aqui neste país, no Brasil, continuarei minha luta até o fim, e, embora cansado, jamais vou desistir de lutar pela verdade. A verdade que alguns insistem em não querer ver, e este é o pior dos cegos, aquele que não quer ver.

Findo esta carta, agradecendo aos companheiros que desde o início da minha luta jamais me abandonaram e da mesma forma agradeço àqueles que chegaram de última hora, mas, que têm a mesma importância daqueles que estão ao meu lado desde o princípio de tudo. A vocês os meus sinceros agradecimentos. E como última sugestão eu recomendo que vocês continuem lutando pelos seus ideais, pelas suas convicções. Vale a pena!

Espero que o legado daqueles que tombaram no front da batalha não fique em vão. Podemos até perder uma batalha, mas tenho convicção de que a vitória nesta guerra está reservada aos que lutam pela generosa causa da justiça e da liberdade.

Entrego minha vida nas mãos de Vossa Excelência e do Povo Brasileiro.

Brasília, 13 de novembro de 2009

Cesare Battisti

30 outubro 2009

Sede de organização anarquista no Sul do Brasil é invadida pela polícia


[A sede da Federação Anarquista Gaúcha (FAG) foi invadida por dezenas de policiais ontem (29), por volta das 16 horas. A ação policial, sob um mandado de busca e captura, visava recolher material de propaganda contra a governadora do Rio Grande do Sul Yeda Crusius, que decidiu mover uma ação por injúria, calúnia e difamação contra ativistas da organização anarquista. No local da FAG, na rua Lopo Gonçalves, Cidade Baixa, os policiais apreenderam vários materiais de propaganda, documentos e um computador. Integrantes da FAG prestaram depoimentos na 17ª Delegacia Policial e foram liberados. A governadora do Rio Grande do Sul é acusada de estar envolvida em uma série de escândalos de corrupção que atingiu o seu governo e resultou no afastamento de quatro secretários estaduais. Contudo, no dia 20 de outubro, a Assembléia Legislativa gaúcha aprovou relatório de comissão especial que propôs arquivar processo de impeachment contra a governadora. A seguir três comunicados públicos da FAG.]

1º Comunicado

Neste exato momento – quinta-feira, 29 de outubro de 2009, a partir das 16 horas - a Polícia Civil do RS sob o comando da governadora Yeda Crusius promove diligência na sede da Federação Anarquista Gaúcha (FAG). O mandado de segurança do governo busca apreender material de propaganda política contra o governo acusado de corrupção. Os cartazes abordam o empréstimo junto ao Banco Mundial e o assassinato do sem-terra Eltom Brum. Este ato é pura provocação do Executivo gaúcho, atravessado por atos de corrupção e situações até hoje sem explicação, como a morte de Marcelo Cavalcante em fevereiro desse ano. Convocamos as forças vivas da esquerda gaúcha para reagirmos de forma unificada contra mais esse desmando.

Solidariamente,
Federação Anarquista Gaúcha (FAG)

2º Comunicado

Material de propaganda e CPU da FAG apreendidos

Nesse momento, quinta-feira, 29 de outubro, 2009, às 17h31, temos compas respondendo na 17ª DP, localizada na rua Voluntários da Pátria, 1500, perto da Rodoviária de Porto Alegre. A Polícia Civil apreendeu material impresso, chapas de cartazes e inclusive a CPU do computador da sede. Isso se trata de uma conspiração oficial para atacar uma das forças da esquerda não parlamentar e com base social real no RS!

Era de se esperar uma reação como essa, em função da FAG sempre haver atuado com modéstia mas tenacidade, sendo das mais aguerridas em todas as circunstâncias na defesa dos interesses e objetivos estratégicos do povo gaúcho. Vamos fazer uma denúncia pública e provar para as classes oprimidas do RS a natureza desse ataque vil sob ordem de um governo acusado dos mais graves crimes.

Não tá morto quem peleia!

Federação Anarquista Gaúcha (FAG)

3º Comunicado

Toda a solidariedade para com a FAG! Antes a repressão foi contra o sem terra Eltom, hoje é na sede da FAG, amanhã quem será?

A repressão do governo Yeda foi além do esperado. Dois compas foram processados e responderam a processo de parte de um governo acusado de dezenas de crimes, e alvo de investigações federais em seqüência. Até a repressão do Estado liberal-burguês vê a esta gestão como alegando investigar uma propaganda contra a sua gestão, a polícia civil do RS apreendeu documentos internos da Federação Anarquista Gaúcha, intimou
aqueles que mesmo prestando apenas a sua solidariedade constavam de registros da página de internet da organização. Não bastasse a apreensão da CPU e do backup do computador, levaram documentos internos (como ata de reuniões), material de propaganda público e até os resíduos que estavam na lixeira da sede.

Imediatamente a solidariedade de classe se fez notar, repercutindo no Rio Grande do Sul, por todo o Brasil, na América Latina e, a partir da Espanha, por organizações anarquistas e movimentos populares de todo o mundo.

Pedimos a solidariedade de companheiras e companheiros para difundirem e
traduzirem esta três notas em seqüência.

Solidariamente,
Federação Anarquista Gaúcha (FAG)
secretariafag@vermelhoenegro.org
www.vermelhoenegro.org/fag

15 outubro 2009

Jovem libertário morre atropelado por um carro


“...que cada lágrima nossa caída seja um carro queimado nas ruas...”


Com tristeza e raiva relatamos que Oiran Formiga, jovem libertário que iria completar 20 anos no próximo mês, membro do Coletivo Cosmopolita AnarcoPunk, Movimento Passe Livre-Natal, morreu neste sábado (10) atropelado por trás por um carro quando voltava de bicicleta da cidade de Campina Grande (PB) para Natal (RN), depois de participar de um evento anti-autoritário naquela cidade paraibana. Ele morreu no local do acidente, no acostamento da BR-101. O condutor do carro não parou para prestar socorro. Ele foi enterrado dias atrás, num velório/enterro não-cristão, como desejava.

Morreu nosso companheiro, irmão, amigo...

É com imenso pesar que tento escrever essas linhas. Ontem fui dormir sonhando com todo um filme que marcou minha vida, a história de amizade e militância de Bruno e Oiran, ou de um gato e uma formiga, como gostamos de sermos chamados no meio punk!

Quem era aquele jovem que mais escutava do que falava? Quando o conheci, estávamos juntos tentando achar uma solução pro transporte dessa cidade que leva uma vida sobre rodas. De lá pra cá, muita coisa aconteceu, fomos ficando cada vez mais amigos, e aquele jovem calado começou a se soltar e nos encher de alegria com sua energia contagiante!

Oiran, companheiro de todas as horas... Falou em ação ele estava no meio, o cara mais de luta que eu já vi, juntos, tocamos fogo nos nossos corações, deixamos a anarquia explodir nas ruas!

Passamos por várias situações, e não queríamos parar, o movimento anarcopunk que conhecemos nas ruínas, viveu e viverá, porque a formiga nos levou ao formigueiro!

Nós, punx, fascinados com a bicicleta, com a autonomia que ela pode nos dar, pedalamos com coragem nesse mundo civilizado e doentio; com Oiran não foi diferente, ele foi além, e quis romper as fronteiras! Fomos pra Campina Grande, lá tomamos a cidade a falar sobre a crueldade para com os animais, fomos para lá gritar contra a vaquejada.

Formiga me disse o quanto estava maravilhado com a bike e que não via a hora de voltar pedalando a favor do vento para chegar mais rápido em casa, "pedale, e rápido, e morra jovem", foi uma frase que escutei certa vez. Oiran nos diria isso sorrindo e é essa a imagem que quero guardar, da sua felicidade e do seu abraço de amizade.

Até que a morte nos encontre amigo, nunca te esquecerei!

Do teu amigo, irmão e companheiro...

G@to Punk – Natal, Rio Grande do Norte.

01 outubro 2009

24 setembro 2009

Os squatters de Berlim em contagem decrescente




Depois da queda do Muro houve quase uma centena de ocupações em Berlim. Berço do movimento alternativo, estas casas ocupadas tornaram-se parte integrante da identidade da capital. Mas 20 anos mais tarde, o que se mantém realmente desta Berlim alternativa?

Concertos de solidariedade, flyers, cartazes, eventos... os ocupas do 183 Brunnenstrasse em Berlim, tudo fazem a fim de manter esta ocupação viva. Mas parece que em vão.

O proprietário está decidido a expulsá-los. Se isso acontecer assinará o fim de um dos últimos locais ocupados na capital alemã.

Squatter ou "ocupação ilegal de propriedade" tem uma longa tradição em Berlim. Já sob o regime comunista da República Democrática Alemã, existiram muitas pessoas a ocuparem casas. Mas seria a queda do Muro que marcaria o início real do fenômeno. "Prédios inteiros foram abandonados", diz Moritz Heusinger, na época um estudante de Direito em Berlim Ocidental. “Uma janela ou uma fechadura às vezes faltava, não havia água canalizada e gás. Mas podia-se perfeitamente lá viver! Muitos como eu fizemos isto mais de seis meses". Como ele, muitos estudantes, artistas e outras pessoas ocuparam casas abandonadas de Berlim Oriental. Em 1991, o número de edifícios ocupados chegou a quase cem.

O governo municipal não esperou muito tempo para reagir. Em 1992, decidiu evacuar todos os locais ocupados na cidade, começando pelos de Mainzerstrasse. Porém, subestimaram o alcance e a determinação dos/das ocupas. O Mainzerstrasse transformou-se num verdadeiro teatro de guerrilha urbana com os tanques militares a enfrentar os coquetéis molotov de punks entrincheirados.

"Isso pode ser um verdadeiro projeto político"

Diante de tal resistência, substituíram rapidamente a estratégia de expulsão pela da "normalização". Moritz Heusinger, tornou-se um advogado, especializado em negociação de contratos entre os proprietários e os ocupas. "Os ocupantes são agrupados numa associação que aluga o prédio inteiro. Pagam um aluguel relativamente baixo e, em troca, o proprietário deixa-os em paz." Os squatters assim, gradualmente, desapareceram para dar lugar a uma vintena de "hausprojekt"; projetos habitacionais. O projeto em questão, "às vezes é apenas viver como uma grande família", disse o jovem advogado com rabo de cavalo. “Mas também pode ser um verdadeiro projeto político.” Assim, os habitantes do Tutenhaus defenderam os direitos dos homossexuais, os punks anarquistas do Köpi puderam organizar protestos anti-capitalistas etc. Estes alojamentos alternativos também são importantes centros culturais. Ateliers, galerias, estúdios de gravação, salas de concertos... aqui os artistas podem trabalhar sem restrições.

"Fechar estes lugares seria dramático, diz Moritz Heusinger. Berlim perderia muito da sua identidade. Sem mencionar a função social que cumprem esses lugares!" Um lugar para dormir barato, cozinhas populares, onde as pessoas podem comer por menos de dois euros. O "Hausprojekte" constitui uma verdadeira rede de apoio social numa cidade com cerca de quinze por cento de desempregados. No entanto, o advogado parece pessimista. "Há um verdadeiro fenômeno de gentrificação [emburguesamento]. Assim apenas os ricos vivem no centro de Berlim.” Enquanto isso, no último squatter, em Berlim, prepara-se a resistência.

"Não cederemos", garante Mano, um residente do 183 Brunnenstrasse. Alternativos contra ricos especuladores imobiliários, a batalha ainda não acabou.

Fonte: lepetitjournal

Armada anarquista se reunirá em Pittsburgh



Vinte líderes dos países mais ricos do mundo irão aterrissar em Pittsburgh na próxima quinta-feira, 24 de setembro, e serão confrontados pelas forças da Marinha Niilista, uma manifestação da miríade de fugitivos da totalidade das relações sociais coercitivas que encontraram refúgio e santuário sobre as águas.

Em nossa análise o G-20 representa a instituição central na orquestração da hegemonia global e seu projeto para invadir os últimos espaços autônomos neste planeta. Reconhecemos os participantes deste encontro como nossos inimigos, e, portanto estamos preparando uma brigada de navios que, velejando sob a bandeira preta, irão bloquear as águas ao redor do centro de convenção David Lawrence no dia de abertura do encontro do G-20.

Enquanto nosso/as companheiro/as resistem contra o G-20 sobre a terra, nas ruas, focaremos nossa resistência sobre as vias navegáveis que são a nossa casa. Assim como toda situação em que o marginalizado confronta o rico e poderoso, a nossa força de barcaças, jangadas, veleiros e embarcações sortidas parecerá um tanto decrépita face aos modernos navios militares norte-americanos. No entanto este é somente o começo de uma longa estratégia de ações a ser realizadas pela Marinha Niilista, como parte de uma insurreição global contra a rede de dominação e terror conhecida hoje em dia como “civilização”.

Além do bloqueio de 24 de setembro, nossa frota irá chamar atenção à luta dos piratas somalianos através das seguintes ações:

1. Começando a semana da Reunião do G-20 em Pittsburgh, as forças navais anarquistas irão atormentar, bloquear e abordar qualquer navio que faça parte da infra-estrutura do carvão mineral que, através da mineração, é responsável pela destruição das montanhas, rios e casas. Não haverá misericórdia com aqueles que lucram com a queima do carvão e tornam o nosso ar ainda mais cancerígeno a cada respiração. Como os piratas somalianos, somos incitados a agir contra aqueles que fazem da nossa comunidade uma zona de sacrifício ambiental. Eles acreditam que não temos poder para pará-los, mas como os piratas, iremos provar o contrário.

2. As forças navais anarquista irão também subir a bordo e atacar qualquer navio cruzeiro que estiver dando festas para os ricos, re-apropriando o total de bens de todos os presentes na festa para investir na restauração do meio ambiente e nas necessidades sociais de moradia. Como os piratas, utilizaremos a ação direta para re-apropriar as riquezas dos ricos, roubadas de nós sob o pretexto de livre comércio.

Estamos levando a cabo essas ações em resposta direta aos atos brutais que as nações do G-20 praticam contra os piratas somalianos. A resposta militar aos piratas demonstra mais uma vez como a proteção do livre comércio é mais importante do que a vida humana, especialmente as vidas daquele/as que não fazem parte das nações do G-20.

Como os piratas, nós nos recusamos a aguardar por soluções políticas enquanto os recursos que poderiam solucionar as necessidades de todos estão entesourados por uns poucos bem abaixo de nosso nariz.

Encorajamos todas as re-apropriações possíveis das riquezas que foram roubadas de nós, todas sob o pretexto do “livre comércio” e do comércio global – o esquema para, às nossas custas, tornar alguns poucos banqueiros ainda mais ricos.

Daremos viagens seguras para todos os membros da tripulação nos navios que tarjamos para a ação. Não lute a favor de nosso opressor mútuo, assim você não terá nada a temer de nós. Reconhecemos que isto é uma guerra. Não estamos fazendo ações para “protestar” ou fazer reivindicações. Agiremos, ainda que modestamente, como parte da luta contra a máquina mortal capitalista multifacetada, sem ilusões sobre a maneira de como iremos ser tratado/as por seus capangas uniformizados. Assim como os somalianos foram brutalizados, e as antigas Utopias Piratas foram demonizadas e exterminadas, não esperamos algo melhor. Mas, não poderemos viver com nós mesmos se não aproveitarmos esta oportunidade de atacar em um mundo onde nossas possibilidades por ações livres diminuem a cada dia. Quando nos encontramos em conflito, estamos lutando por nossas vidas; não haverá pedidos nem mercê.

A Milícia Naval Anarco-Niilista

Tradução > Marcelo Yokoi

14 setembro 2009

Ladyfest


Em um fim de semana com ventos de mudança e de verdadeira liberdade de expressão, que foram compensados com o ar que respiramos todos os dias neste país, nesta realidade, ar contaminado pela autoridade e a desigualdade, foi realizado um dos festivais mais transgressores já feitos no país.

Em 15 e 16 de agosto na cidade de Bogotá, foi dada carta branca para a segunda versão do Ladyfest nesta cidade, com mulheres e homens de várias partes do país, com diferentes vidas e diferentes modos de pensar, mas com uma idéia comum, a idéia de libertar as mulheres dos grilhões que diariamente a amarram, acabar com a competição e com essa violência entre gêneros humanos, e pela reconstrução das relações entre mulheres e homens.

Foi um festival cheio de expressões da cultura e da contracultura, de discussões e afinidades, onde vozes femininas e masculinas foram ouvidas em vários tons e num sentimento único, foi um encontro entre os e as responsáveis dessa cultura patriarcal e desse atuar machista que dominaram o mundo por muitos anos, o desenraizamento dos nossos contextos e das nossas vidas.

Compartindo, debatendo, criando, recriando, transformando, confrontando e reafirmando se desenvolveu estes dois dias, agindo e interagindo, sendo conseqüentes com o sentimento de liberdade e anti-sexista, demonstrando que estamos criando a mudança, como foi demonstrado no ano passado no primeiro Ladyfest da Colômbia, bem como foi demonstrado neste ano, em março, no Ladyfest em Barranquilla. Com temáticas diversas, com diferentes pontos de vista e comuns, eles e elas falaram, ouviram, dançaram, cantaram, pensaram e refletiram.

Também neste espaço foram ouvidos diferentes sons de protesto e resistência, foi vista a arte de meninas que criticaram àquelas mulheres que permitem e colaboram com a submissão do gênero feminino, artes que convidavam as meninas e meninos para redefinir suas identidades e a definir posições em relação a situações que diariamente vivemos. Palestras sobre mulheres e política, as mulheres nas prisões, o feminismo, erotismo, gênero, patriarcalismo, breakdance, música, fotografia, desenho, a estação muak, performance das mulheres frívolas, a moralidade na sexualidade, escutando o programa de rádio anarquia para amantes, as horas se passavam, fomos enchendo os corações de belos sentimentos de luta, união, de estilo riot grrrl, de rebeldia e de solidariedade.

Foi definitivamente uma grande experiência para todas e para todos, somos imensamente gratos a todas e todos compitas que nos ajudaram e que participaram ativamente nesta jornada, com energia, com o amor que todas e todos nos regalaram, a todas e todos que viajaram de outros lugares para ir para o festival, as bandas, as palestras, as artes, aos compas de Manizales, aos compas de Cali, aos compas de Medallo, a compa de Barranquilla, ao compa da Venezuela e aos compas de Bogotá! Ao público em geral e, especialmente, o movimento Riot Grrrl que nos dá todas essas vitaminas para criar e realizar estes eventos tão gratificantes.

Seguimos Existindo e Resistindo!

ReXiste Riot Grrrl

http://rexisteriotgrrrl.blogspot.com/

http://www.myspace.com/grrrlzcolombia

rexiste@riotgrrrl.co.uk

10 agosto 2009

A Guerra Civil Espanhola, setenta anos depois.

15/08 - sábado, 18h
16/08 - domingo, 20h

Reportaje del movimiento revolucionario en Barcelona

República Española, 1936, 21 min. | Direção Mateo Santos
Primeira reportagem da Guerra Civil. Rodado em Barcelona, suas imagens abrangem desde o dia 19 até 23 de julho de 1936. Os sinais dos recentes combates: barricadas nas ruas, destroços produzidos pelo combate.

Bajo el signo libertario

República Espanhola, 1936, 16 min. | Direção: Les
Documentário dramatizado. Registros dos primeiros dias da Guerra Civil em Barcelona se intercalam com episódios encenados de um povo de Aragón onde os anarquistas implantaram a coletivização da agricultura.

La defensa de Madrid
República Espanhola, 1936, 22 min. | Direção: Angel Villatoro
Madri nos primeiros dias do cerco: trincheiras, barricadas e sacos de areia. Treinamento dos milicianos e milicianas. Um ato de escritores e intelectuais: Luis Aragon, Gastón Ladarga, Gustav Regker, Ludwig Renn, Rafael Alberti…

Frente y Retaguardia
República Espanhola, 1937, 22 min. | Direção: Joaquín Giner
Filme de propaganda que mistura imagens de documentarios de produção industrial e agrária com cenas de ficção na frente de batalha de Aragão.

II SESSÂO

15/08 - sábado, 20h
16/08 - domingo, 18h

L’ Espoir – Sierra de Teruel

República Espanhola, 1939, 88 min. | Direção: André Malraux e Boris Peskin
Espanhol sem legenda (longa metragem, dvd)
Um filme que narra de maneira descontinua – estimulando a inteligencia do espectador - diferentes episódios da Guerra civil espanhola. Dirigido e escrito pelo francês André Malraux, que contou com a ajuda nos diálogos em espanhol de Max Aub e a colaboração do Antonio del Amo. Em 1939 estreou na França mas só em 1977 foi vista em uma tela espanhola.


Exposição:
CARTAZES DA GUERRA DA ESPANHA 1936 - 1939
Um grito nas paredes de 14/08 a 19/09/2009


Sala de exposições do Instituto Cervantes

Instituto Cervantes
de Brasilia

SEPS 707/907 Lote D
Asa Sul - 70390-078
Brasilia - DF
Tel.: 55 61 3242 0603
Fax.: 55 61 3443 7828
informabras@cervantes.es

07 agosto 2009

Geração beat -- novo livro na área.






Claudio Willer, 68 anos, recebeu a reportagem do Correio Braziliense em seu apartamento, no bairro paulistano da Bela Vista, para falar sobre a geração beat.


Correio Braziliense – Claudio Willer, você usa em seu livro o termo "geração beat" em vez de, por exemplo, "movimento beat". Por quê?

Claudio Willer – Esse era o termo que Jack Kerouac usava. Foi o termo que ele usou em uma conversa com o escritor John Clellon Holmes, o termo que ele escrevia em seus diários e que depois apareceria em On the road. Ele achava que fazia parte, com seu grupo de amigos, de uma geração beat em contraposição à lost generation, a "geração perdida", a geração anterior, de F. Scott Fitzgerald. E Kerouac faz uma polissemia.
Ele usa beat no sentido de batido, ferrado, tanto quanto no sentido de beatitude. Inclusive essa duplicidade de sentidos está no On the road. Quando ele chama Neal Cassady de "beat" num trecho em que ele diz que Neal é um santo, na razão direta da irresponsabilidade, das sacanagens que ele fazia. É um trecho paradoxal, bastante dostoievskiano.

Correio Braziliense – E esse termo "geração" também passa uma ideia de grupo fechado. Reforçando a amizade, de cumplicidade entre os autores, que você enfatiza no livro.

Claudio Willer – A essência da geração beat é a amizade. Eles eram muito diferentes uns dos outros. Mas a amizade é essencial ao uni-los. A amizade e, obviamente junto a ela, o inconformismo e a inquietação. Havia essa relação profundamente fraterna, de cumplicidade.
E até mais do que isso. Há vários episódios sexuais entre eles, inclusive aquela loucura sexual de desdobramentos de Kerouac e Ginsberg envolvendo Neal Cassady e as mulheres dele. É algo que interessa porque vai além da crônica de costumes.
Tem vários outros sentidos. Há um sentindo simbólico claro. Eu diria que há um compartilhar total: de textos, de leituras, de informações, de viagens, de diálogos, de corpos. Talvez seja uma abolição de sentidos entre o simbólico e o corporal. Essa é uma das interpretações possíveis.

Correio Braziliense – Kerouac, Ginsberg e Burroughs são os autores mais reconhecidos da geração. Mas qual a importância de Neal Cassady?

Claudio Willer – Neal Cassady era esse personagem controvertido. Burroughs não suportava ele, achava ele agitado demais. Cassady realmente aprontava demais, dava desfalque, mentia para os amigos. A questão não é o Cassady, mas a mitificação de Cassady por Kerouac, que se mostrou literariamente produtiva, e a atração física de Ginsberg por Cassady, que também se mostrou literariamente produtiva.
Neal Cassady tinha um talento verbal. Certamente tem mais de Cassady nas cartas que ele escreveu e no Visions of Cody, onde Kerouac transcreveu uma fita com a conversa de Cassady em trinta páginas, do que no único livro que Cassady escreveu (O primeiro terço), que traz um texto relativamente convencional, com um ou outro trecho mais coloquial.
Então o Cassady historicamente importante acaba sendo o Cassady visto por Kerouac e Ginsberg. O personagem ultrapassou a pessoa.

Correio Braziliense – Como se deu a polarização dos beats entre Nova York e São Francisco?

Claudio Willer – Nova York já era o centro do mundo. Era onde as coisas aconteciam. E São Francisco, mesmo sendo uma cidade relativamente pequena, com um milhão de habitantes, já era um local de cultura de resistência, já tinha uma tradição cultural, era um lugar mais aberto. A beat então se forma em Nova York e vem a público em São Francisco. E aí retorna a Nova York quando Ginsberg pega os textos dos autores de São Francisco e leva para os agentes, os editores, as revistas literárias da Costa Leste.
Mas agora... Não foi uma relação inteiramente pacífica a relação entre Ginsberg e o núcleo da Califórnia, como Lawrence Ferlinghetti, Michael McClure, Gary Snyder. Porque de repente Ginsberg se viu deslocado, não era mais o líder de um movimento geracional. De repente, Nova York e ele deixaram de ser o centro da vanguarda poética, com o surgimento da San Francisco Renaissance de Robert Duncan. Houve esse momento.

Correio Braziliense – E a beat deixou de ser vanguarda para ser pop...

Claudio Willer – Eu estive em Los Angeles e em São Francisco em 1963. Te diria que em Los Angeles, o bairro de Venice West, um bairro na época bonito, à beira mar, era um bairro. A população era predominantemente beatnik. Barbudos vestindo jaquetas militares de segunda mão, frequentando leituras de poesia, vivendo de artesanato e de pôsteres de silk screen. Era um bairro inteiro assim, como North Beach em São Francisco e o Village novaiorquino, que já era ponto boêmio. A expansão beat foi fulminante. Entre as publicações de On the road e Uivo e essa adesão maciça correu pouquíssimo tempo. Em 1958, o jornal San Francisco Chronicle já falava em beats no coletivo.

Correio Braziliense – A que se deve esse fenômeno?

Claudio Willer – Um fator decisivo para isso é a derrota da censura a obras literárias a partir da vitória no processo contra Uivo. Acho que para interpretar isso deve-se pensar como historiador, como sociólogo. Será que não faz parte da dinâmica da sociedade burguesa essa maior abertura? Assim como a sociedade capitalista precisava da social democracia, senão ia explodir, ela não precisava também de maior abertura? Para continuar a existir, será que não precisava desistir do controle direto sobre o comportamento? Quer dizer... Que tipo de dinâmica histórica subjaz a essa explosão, a essa repentina abertura? Esse é um tema complexo de sociologia que ainda não foi suficientemente examinado. Marx entendeu essa dinâmica da sociedade do capitalismo, essa mobilidade que a diferencia de outros modos de produção. Mas cabe uma revisão do marxismo. Porque, de repente, saiu de cena o proletariado e entrou o lumpen como categoria associada ao novo. Porque Cassady e Corso haviam sido típicos lumpens, moradores de rua. E Ginsberg, Kerouac e outros praticavam o lumpesinato voluntário. Eles viveram como marginais, né? Acho que essa associação do beat ao lumpen, que segundo Marx seria o extrato social inaproveitável para a revolução, é uma pista para pensarmos o fenômeno sociologicamente. O lumpen positivo.

Correio Braziliense – Os escritores anteriores que tinham optado por esse lumpesinato foram revalorizados pelos beats...

Claudio Willer – Claro. Esses escritores aventureiros foram recuperados. Como Jack London. O autor mais representativo, mais importante literariamente, nessa linha é Walt Whitman. O poeta errante, vagabundo errante. Whitman se colocou fora da estrutura de classes, à margem. Não era mais nem burguês, nem proletário. Ele criou um novo ator social, que os beats adotaram.

Correio Braziliense – Qual o apelo dessa atitude hoje?

Claudio Willer – Tenho a impressão que... Com o esgotamento do paradigma marxista ortodoxo, da ideia de militância política como caminho para transformar o mundo, os jovens hoje estão procurando outras coisas, estão indo às raízes do pensamento utópico e suas formas de expressão contemporânea. Sei que essa é uma generalização colossal, não é? Mas podem ser manifestações pós-queda do Muro de Berlim... O que não significa que o mundo mergulhou no conformismo. Ao contrário. Significa que o inconformismo está encontrando novas formas de se expressar. Novas formas de rebelião individual. Eu tenho observado o que vem acontecendo desde 1960 e sou otimista. Sou otimista porque o mundo atual e a ameaça de fim de mundo apresentam questões que pedem novas respostas. E aquilo tudo que a vida em sociedade num mundo urbanizado tem de insuportável também pede resposta.

29 julho 2009

Panfletinho do último (último mesmo?, :() Caga-Sangue!





“Em Brasília, a rua não existe”, Simone de Beavouir, em visita à cidade.



F-V-M! Autonomia nos mais variados espaços da vida, que deve ser aceita se decidimos viver o amanhã! Contra-cultura viva e ativa! F-V-M! A cidade é nossa, nós PODEMOS FAZÊ-LA PARAR E VOLTAR A EXISTIR!

“BANIDXS NO DF

ruas largas, sem calçadas – ou com calçadas mal conservadas e que parecem desenhadas em pranchetas no andar mais alto do palácio do buriti, essa cidade não foi feita para pessoas e sim para pessoas dentro de caros, pessoas dentro de prédios: pessoas dentro da máquina de produção-consumo.

feita na prancheta, imaginada e não vivida, Brasília é esquadrinhada: tudo aqui tem seu lugar, ditado pela divisão em setores, mantido pelas autoridades, uma cidade construída em amor ao poder, é assustador perceber como a maneira que as coisas se dispõem nessa cidade casa com propósitos individualistas-capitalistas.

uma cultura de hipervalorização histérica por automóveis, falta de ônibus, de calçadas, de acesso, a receita para faltar pessoas, a rua não é mais ponto de encontro. Os espaços públicos são reduzidos a praças vazias que exaltam o poder. Diversão comercializada dentro de lugares fechados.

mas, no meio desse deserto medonho, ainda conseguirmos criar espaços e promover encontros.

estabelecer laços de comunidade e de amizade, de (des)organização não hierárquica e centrada em outras coisas que não a grana e/ou status dá outro sentido à noção de contra-cultura nessa cidade onde o desencontro e a solidão ficam evidentes nas ruas quase inabitadas. Entendemos o faça-você-mesmx não apenas como um caminho pré-definido de como agir ou onde chegar, mas uma estrada que pavimentamos juntxs: criarmos coletivamente outras espaços, e outros tipo de relação.

cada vez que as pessoas dessa cidade conseguem de alguma maneira romper essa estrutura opressora e criar de espaços para comunhão e o encontro público, com Oe ocaso de hoje, um show de hardcore-thrash com pessoas se chocando e se jogando umas sobre as outras se torna muito mais do que guitarras e bateria, muito mais que a música.

em uma cidade que promove a segregação e o desencontro, provoquemos o esbarrão. Faça-você-mesmx!

26/07/09
Coletivo Caga-Sangue Thrash
cagasanguethrash@yahoo.com.br”

27 julho 2009

FESTIVAL FAÇA VOCE MESM@!


INSCRIÇÕES ABERTAS!TRAGA SUA OFICINA, BANDA, DEBATE, FILME, ETC..





Criaturas e criadores,



Com o intuito de compartilhar conhecimentos coletivamente, questionar a figura do "especialista", ser contrário aos aspectos elitistas do conhecimento em busca da autonomia, surgiu a idéia de se realizar o festival “Faça você mesm@- Uma proposta de troca de conhecimento coletiva”. Que tem como objetivo ser um espaço cultural (nas mais diversas abrangências que o termo pode ter) destinada a troca de conhecimentos que visem os mais distintos aspectos da emancipação dos seres humanos e do planeta..

Faça você mesmo sempre, mas não só pra você mesmo. O que queremos dizer com isso? Queremos sobretudo afastar uma idéia disseminada e praticada do faça-você-mesmo, uma idéia que além de considera-lo um fim em si mesmo é recheada e motivada por intenções extremamente egoístas.

Queremos falar de um faça-você-mesmo que é uma arma, um instrumento para uma coisa muito maior. Um instrumento para uma verdadeira transformação social. Queremos usar o faça-você-mesmo como forma de buscar nossa autonomia e não nossa pureza. Queremos minimizar e simbolicamente demonstrar nosso repúdio ao consumismo mas sem a inocência ou malícia de acreditar que uma sociedade de múltiplas relações possa ser completamente transformada com atos isolados.

A ideia é mesclar diversos aspectos da cultura popular e da contra-cultura em 2 ou 3 dias de música, debates, conversas, filmes, oficinas e o que mais sugerirem. Tod@s que estiverem intessad@s em compartilhar conhecimentos escreva parafacavocemesmofestival@gmail.com até o dia 15 de agosto de 2009 para inscrever sua atividade no evento. Ainda não fechamos a data e nem os locais exatos, mas provavelmente se dará no Rio de Janeiro: Central e em Niterói. Nos colocamos a disposição para tirar possíveis dúvidas.





Saúde, legumes e Autonomia!
Festival Faça Vocês mesm@